segunda-feira, 27 de abril de 2009

Travessia, pedágio e ponte


Esta semana, houve uma reunião em Rio Grande, para definir novos valores da travessia até São José do Norte. Para quem não sabe, este município está separado de Rio Grande pelo canal de navegação Lagoa dos Patos. Distância pequena, mas que precisa ser vencida com barcos semelhantes a ônibus e balsas para carros e caminhões.

Pois bem, além dos horários insuficientes, estas barcas são antigas, mal cuidadas e caras: R$ 1,75 por pessoa. Os empresários querem R$ 2,00. Passagens de caminhões custam muito caras, inviabilizando a produção primária das pequenas propriedades da região, encarecendo os produtos à venda e causando as mais variadas dificuldades para a população local.

Mas há um movimento antigo para a construção de uma ponte ou até um túnel para esta travessia. Claro que com recursos públicos, pois ninguém iria construir alguma coisa para ter um retorno centenário... Investimento pagando juros internacionais, provavelmente.

Contudo, ninguém contesta a necessidade da criação da tal ponte, com custo enorme, bancada pelo erário público. Como ninguém contesta o elevado subsídio dado ao Trensurb, por exemplo. Neste caso, o recurso para a implantação é público e a manutenção também, pois as passagens não são suficientes para sua própria manutenção. Assim é com metrôs nas capitais de todo o mundo.

Então, por que fazer com que os moradores de SJN paguem para que possam deslocar-se até Rio Grande? Por que não usar um pouco deste recurso público que seria canalizado para a construção da ponte, para a compra de embarcações decentes e para o subsídio da passagem? SJN é uma cidade paupérrima, que mereceria um pouco de atenção. São poucos eleitores, mas são gaúchos! E ali começou nosso Estado. Mereciam esta atenção.

É um tipo de metrô que dispensa a construção da linha, apenas a construção/aquisição de alguns "vagões". Por que é tão difícil pensar em algo assim?

Imagem: do site do governo do Estado, São José do Norte.

3 comentários:

Anônimo disse...

Não sei se a proposta apresentada pelo PoPa é a melhor, para facilitar a travessia para SJ do Norte. Mas sem dúvida a idéia que rola na imprensa, propondo substituir as barcas por uma ponte sobre um espelho d'água, é mais uma tentativa de dificultar o que é fácil e barato.
O mesmo causo ocorre em Porto Alegre, cujas barcas que faziam a travessia do Guaíba foram desativadas quando foí inaugurada a ponte, e nunca mais puderam ser reativadas, graças aos "esforços" dos transportadores rodoviários.

Charlie disse...

A idéia dos barcos me parece mais adequada, mas me preocupo com o desenvolvimento artificial desta vila. Não seria interessante o surgimento de uma bolha ocasionada e mantida por intervenção (e grana) do Estado (e do contribuinte).

Pobre Pampa disse...

Nâo haveria a menor possibilidade de se ter o desenvolvimento artificial de SJN, mesmo com a travessia gratuita! Mas não foi exatamente esta a idéia do PoPa, mas sim de fazer um transporte de qualidade, com bons barcos e gerenciamento privado, mesmo que com subsídio. Apenas os juros de um eventual financiamento para a construção da ponte, já seriam suficientes para um serviço de alta qualidade - sobrando grana!

Esta mesma condição poderia existir em Guaíba, por exemplo, aliviando a estressada travessia das pontes, como referiu-se o anônimo acima. Poderia dar uma sobrevida enorme às pontes, dispensando - neste momento de crise - a construção de uma outra.