quinta-feira, 2 de abril de 2009

Dias de outono

O PoPa acorda cedo e sai para uma campereada nos pastos virtuais. Já acostumado com a lide, conhece bem os tauras que habitam estas paragens. Neste Pampa virtual, é bom ver os escritos de tanta gente que tem bons pensamentos e que não deixam esmorecer a esperança de dias melhores. Estas paragens virtuais não são tão serenas quanto uma coxilha mostrando-se lentamente em um amanhecer outonal, mas tem a mesma tonalidade cinza que, aos poucos, mostra a totalidade das cores que somente a luz do outono, nestes pagos abaixo do paralelo 32, apresenta.

Este é o nosso Brasil. Ainda estamos com as brumas da ignorância e do subdesenvolvimento ocultando as cores que poderemos ter um dia. O PoPa pensava que este dia tinha chegado, no final do período militar. Ledo engano! O que se seguiu foi um desfile de propostas sem sentido, uma corrupção crescente e uma perspectiva cada vez mais opaca. E, a cada experimento, o povo lança-se com esperança às idéias e ao apoio incondicional.

O PoPa lembra-se do Plano Cruzado e dos “Fiscais do Sarney”. Lembra de ter visto um popular fechando, em nome do governo, um estabelecimento comercial que estava vendendo acima da tabela. Lembra de ter conseguido comprar – depois de muito tempo – uma peça de carne para levar para casa. A sensação era de um caçador retornando ao lar com sua presa. Não, não era falta de dinheiro, era falta de tudo! A brutal intervenção no mercado, claro, não deu certo.

O PoPa lembra do Plano Collor, que deixou todo mundo – claro, nem todo o mundo... – sem dinheiro nenhum. Pessoas tiveram roubada sua poupança inteira. Empresas ficaram sem dinheiro para pagar seus funcionários, seus fornecedores. Foi a mais maluca experiência econômica que estepaís já conheceu. O PoPa estranha que não se tenha escrito muito sobre isto. Já pensou até em um romance situado nesta época negra de nossa história.

O PoPa lembra de Racista da Silva e seu partido rangendo os dentes e babando furiosamente contra qualquer ação de qualquer governo no período pós-militar, impedindo que o País encontrasse seu caminho. Hoje, o PoPa sabe que não havia nenhum tipo de motivação patriótica nesta oposição. Era apenas a preparação para tomar o poder e seguir fazendo o que sempre se fez nestepaís: enriquecer com a fraqueza, com a ignorância, com a benevolência do povo.

Estas ilações matutinas se deram quando o PoPa leu um comentário de Reinaldo Azevedo, que transcreveu o que Brown [o tal louro de olhos claros] disse sobre Racista da Silva: “Estive no Brasil na semana passada, e acho que o presidente Lula me perdoará por dizer isso. Ele me disse: ‘Quando eu era líder do sindicato, eu culpava o governo. Quando me tornei líder da oposição, eu culpava o governo. Quando me tornei governo, passei a culpar a Europa e a América’."


Triste história!

2 comentários:

Clausewitz disse...

Muito boa a crônica da vida real...

Charlie disse...

Um bom resumo dos últimos 20 anos da história do país. Quando surge a chance de tocar o negócio pra frente, toma-se caminho diverso da prosperidade. Combinação nefasta de má fé e ignorância. Mesmo as necessárias reformas que foram feitas em meados dos anos 90, o foram de maneira incompleta ou equivocada.

Mas um grande progresso que fizemos no que diz respeito a economia foi o abandono da máquina impressora para aumentar o caixa, o que resultou em inflação relativamente baixa. Mas para compensar utiliza-se uma carga tributária que muitas vezes inviabiliza negócios e onera a população de modo a prejudicar o crescimento do país. Melhor seria corte de gastos governamentais, mas isto é utopia...