segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

MST e morte

Em dezembro, foi assassinado João Calazans, 50, um líder do movimento e pessoa de projeção na comunidade. Segundo a CPT (Comissão Pastoral da Terra), as terras do assentamento foram invadidas em 1999 e, mesmo após a criação do assentamento, em 2002, há conflitos na área por causa da demora do governo em finalizar a divisão do espaço.

Em nota lançada à época, a CPT afirmou que Calazans recebia ameaças e que sua morte era "anunciada". "Ele incomodou os latifundiários do Vale do Rio Doce e do Vale do Aço [regiões de Minas Gerais], denunciou as péssimas condições de trabalho e a exploração de trabalhadores rurais nas carvoarias da região, que sustentam as siderúrgicas."

Infelizmente (para a CPT), os assassinos foram pegos pela polícia. são dois moradores do assentamento Chico Mendes 2, cuja associação Calazans presidia. Segundo a polícia, tinham divergências com o líder pela divisão de lotes na área. Em depoimento, eles negaram envolvimento no crime.

A CPT, desta vez, disse que as terras do assentamento, criado em 2002, ainda são objeto de conflitos por causa da demora do governo em finalizar a divisão do espaço. Ou seja, se o culpado não é algum latifundiário, então deve ser o governo. Nem passa pela cabeça dessa gente, que a seleção de assentados pode ter sido errada, colocando marginais junto com trabalhadores...

Um comentário:

CINEMAN disse...

Nós que estamos aqui no Sul nunca vimos um assentamento que conseguisse, pelo menos, alcançar os tais indices de produtividade do INCRA. Muito longe disto, normalmente não alcançam nem os indices do latifundio improdutivo que foi desapropriado. Mas eu sempre ouvi que no Mato Grosso era diferente, que lá os assentamentos estavam funcionando muito bem e inclusive obtendo uma boa renda para suplementar o valor do bolsa assentado. Conversando com uns amigos de lá, que não são latifundiários, verifiquei meu ledo engano. A maior parte da renda extra está vindo da produção de carvão pelos assentados. Carvão? Sim carvão que eles fazem com a pobre e ameaçada flora do cerrado. Crime ambiental. Não ouvi os nossos eucaliptofobos falarem nada a respeito. Como diria o teu leitor chavista - Dá-lhe Xavante