quarta-feira, 8 de agosto de 2007

MST vs. Justiça

Pela terceira ou quarta vez (o PoPa já perdeu a conta), o MST invadiu a Fazenda da Palma. O PoPa já falou nas tentativas de plantar hortas nesta época, na área invadida. Novamente, a justiça mandou tirar os arruaceiros do local, o que foi cumprido por um contingente de 294 policiais militares. Mesmo assim, tentaram enfrentar a tropa de choque com paus, pedras e foices e Irma Ostroski, da coordenação estadual do MST avisou: "nós vamos voltar, porque não há outra alternativa para manter o sustento do acampamento...". Como assim? Aquela falsa horta iria garantir o sustento de uma turma que recebe - garantidamente, ao contrário de muitos pobres destepaís - comida do governo? E porque não plantam nada no assentamento ao lado?

O PoPa sugere que seja - como se faz com sindicatos grevistas que não cumprem ordens judiciais - estabelecida uma punição pecuniária se isto for efetivado. Uma multa diária, paga pelo MST ou suas cooperativas, que seria destinada para a Emater ou para o SENAR, com a finalidade exclusiva de treinamento de assentados. Assim, saberíamos que, pelo menos uma parte da grana PÚBLICA que se esvai neste movimento, teria uma finalidade clara, específica e justa.

Afinal, foram 294 policiais, desviados de sua função de garantir a seguraça dos cidadãos de bem, para atender uma ocorrência recorrente. Alguém tem que pagar por isso e não pode ser a sociedade.

Ainda sobre ralé e elite, esta é a ralé agrícola!

Voltei para acrescentar uma nota que está no site do MST (em preto a nota, em vermelho, os comentários do PoPa):

MST denuncia violação aos direitos humanos em Pedro Osório (RS) - 08/08/2007

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vem a público denunciar a violação aos direitos humanos praticada pela Brigada Militar no acampamento de Pedro Osório, nesta terça-feira (07/08).

Por volta de 7:30 h os policiais invadiram o acampamento, localizado dentro de um assentamento do Movimento (estavam cumprindo um mandado judicial, o invasor era exatamente o pessoal do MST), e de forma truculenta foram revistando homens, mulheres e crianças, sem estabelecer nenhum tipo de negociação. O Diário Popular de hoje, mostra - com fotos - que houve enfrentamento dos acampados, ameaçando os policiais com pedras, paus e foices e nenhum policial com arma na mão. Também diz que "após rápida negociação, os sem-terra concordaram com a revista geral, desde que fosse realizada sob supervisão dos acampados".

Segundo relato de companheiros e companheiras acampadas, a Brigada Militar colocava o revólver na cabeça até de crianças colo para fazer a revista (essa é difícil de engolir! A imprensa estava lá e não perderia uma destas por nada no mundo!). O argumento da Brigada é que estavam cumprindo um mandado de busca e apreensão de armas. Entretanto, ao final de toda essa explícita violação aos direitos humanos, nenhuma arma foi encontrada (Queriam o quê? Eles estavam esperando a Polícia e podem ser qualquer coisa, menos burros!).

Não satisfeitos, os soldados destruíram as hortas que as famílias haviam plantado na fazenda em frente ao acampamento para complementar a alimentação das crianças. O PoPa já comentou sobre estas hortas e lamenta que estas crianças estivessem dependendo da capacidade de produção dessa turma.

Estranhamos que em meio à crise econômica no Estado não falte dinheiro à Secretaria de Segurança para mobilizar um grande efetivo de homens (mais de 250) para promover essa ação. É dinheiro público mais uma vez sendo usado para promover a violação aos direitos humanos, enquanto a população sofre com a falta de recursos para educação, saúde e de segurança pública, principalmente nos centros urbanos. É importante que o MST tenha consciência de que estas ações continuadas, apenas para fazer manchete, causam prejuízo ao erário estadual e à segurança das pessoas.

Estranhamos o fato de que funcionários dos fazendeiros da Fazenda Palma acompanhavam a Brigada Militar, conforme foi inclusive registrado pela imprensa. Como assim? Estavam nas terras deles e isto não saiu na imprensa local, não.

Desde fevereiro de 2007, cerca de 200 famílias estão acampadas em Pedro Osório reivindicando a desapropriação da Fazenda Palma, de nove mil hectares. Em função de várias ações truculentas da BM o clima de tensão é contínuo na região. Eles deveriam saber que, está na legislação, terras invadidas não podem ser vistoriadas para desapropriação nos próximos dois anos.

Na próxima quinta-feira, dia 09/09, haverá uma audiência pública no município de Pedro Osório, exatamente para discutir o conflito agrário no município. Estranhamos que ao invés de buscar soluções a BM se empenhe em alimentar o conflito. A BM não está aí para buscar soluções, eles simplesmente cumprem o que lhes é mandado pela justiça e não existe conflito na região, existe um grupo de desocupados que insiste em criar situações de conflito.

O MST reafirma seu compromisso de seguir lutando por reforma agrária e justiça social. OK! E seguem mentindo...

7 comentários:

CINEMAN disse...

Quanto a multa diária tu sabes que o MST não vai pagar e não pode ser cobrada porque é uma entidade que juridicamente e espertamente não existe. Mas quem sabe não seria interessante cortar por um mês o rancho familia em todos os acampamentos existentes no Brasil. Teria uma certa justiça não?

Pobre Pampa disse...

Provavelmente eles não teriam dificuldades de alimentação, pois plantam hortas...

Mas é verdade, não existe juridicamente. Quem sabe, não seria uma boa oportunidade de identificação criminal do movimento? Quanto à multa, poderia ser retirada das verbas públicas que são encaminhadas para o movimento através de suas "cooperativas".

CINEMAN disse...

Olha esta última parte nem precisava os teus comentários em vermelho. É a coisa mais surrealista do mundo. Mas eles tem com quem aprender, não é? Os discursos do Lula ultimamente tem tido a mesma lógica - ou seja, nenhuma. Olha estou abolindo o termo "intelectuais de esquerda", ou é uma coisa ou é outra.

Pobre Pampa disse...

Saiu uma notícia no site "Chasque - Agência de Notícias", que também está reproduzida no site do MST. Nela, a repórter inicia dizendo: "Integrantes do Movimento Sem Terra (MST) denunciam que a polícia abusou da violência durante o despejo realizado na manhã desta terça, em Pedro Osório.". O interessante é que no restante da notícia, ela não fala sobre a tal violência, mas diz que o juiz deu a reintegração de posse na sexta, que foi cumprida somente na terça. A polícia, portanto, deu tempo para ser cumprida a decisão judicial, por parte dos invasores. Mais adiante, cita: "Invadiram o acampamento e a gente conseguiu negociar que alguns acampados acompanhassem a revista dos barracos". Bem, como podemos ver, esta repórter, apesar de ser francamente favorável ao movimento, não fala em "armas na cabeça de crianças"...

Pobre Pampa disse...

Intelectuais de esquerda! Lembra aquela piadinha, do tempo dos governos militares, sobre o ministro da marinha paraguaio: "porque não? vocês não tem um ministro da justiça?"

Deposito do Maia disse...

E o blog rs urgente do Marco Weissheimer dando força ao MST e omitindo que havia uma liminar de reintegração de posse.

CINEMAN disse...

Alo PoPa, quebrou o pau ai em Pedro Osório, investiga e coloca a noticia no blog pois a ZH já se sabe o que vai dizer.