quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Fedeu...

Hoje pela manhã, tinha uma audiência pública, em Pedro Osório, convocada pelo Incra para tratar dos assentamentos e acampamentos da região. Infelizmente, faltou ao Incra, um certo nível de sensibilidade necessário para que esta audiência pública fosse adiada para outra data mais adequada que uma imediatamente após a desocupação da Fazenda da Palma. Quem esperava algo diferente do confronto direto, estava redondamente enganado. O PoPa ainda não tem todas as versões para o ocorrido e buscou na imprensa mais informações. Algumas informações apenas no site do MST (óbvio) e na Agência Chasque, cuja url é mantida pela mesma organização que mantém a do MST. Mas, mesmo assim, em termos de fidelidade jornalística, é muito maior que a do MST, que tem mais algumas baboseiras (aquela história das armas na cabeça de crianças!). Bem, está lá no site da Agência Chasque:

Porto Alegre (RS) - Integrantes do Movimento sem Terra e ruralistas entraram em confronto na manhã desta quinta-feira em Pedro Osório. O enfrentamento aconteceu momentos antes da audiência pública que discutiria o conflito entre as famílias acampadas ao lado da Fazenda da Palma e a Brigada Militar. O embate resultou em 20 sem terras feridos.

Sem terras denunciam que a Brigada Militar agiu de modo truculento. A integrante do MST Neiva Santos conta que os sem-terra foram revistados antes de chegarem ao salão paroquial local, onde ocorreria a audiência. Na porta do salão, encontraram os fazendeiros. “Ao chegar no salão paroquial local, na porta, os fazendeiros estavam ali, em torno de 400, e começaram a gritar e dizer que os sem-terra não iriam entrar, que eles é que iam entrar. Aí começaram a jogar um gás que nós não sabemos o que é, mas que tonteia as pessoas. Daí começou o confronto e a Brigada Militar começou a bater, inclusive os fazendeiros também”, relembra.

Para Neiva, episódios como o desta quinta não podem intimidar as lutas do Movimento. “Agora é que nós temos que fazer a luta para que a sociedade brasileira conheça, de fato, quem é quem, e possa ser favorável àqueles que, de fato, precisam, que são os sem-terra, que precisam de terra pra sobreviver”, diz.

O procurador-federal Paráclito Brazeiro de Deus testemunhou o confronto e a ação da Brigada Militar. “Foi uma ação truculenta e com lado. Foi dirigida especialmente ao pessoal dos sem-terra. Parece que havia uma pré-determinação de bater nos companheiros do movimento social. Isso ficou bem claro”, avalia.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) condenou a violência. O superintendente regional substituto do Incra, José Rui Tagliapietra, que acompanhou o enfrentamento, avalia que houve falhas da Brigada Militar. “Na nossa avaliação, no momento do confronto ela (Brigada) não estava preparada para tranqüilizar a situação e o ambiente que houve. Tinha pouco efetivo da Brigada Militar no momento em que houve o confronto, sabendo que de um lado, estavam os sem-terra e de outro lado estavam os fazendeiros e outros interessados em participar da audiência”, afirma.

Na versão da Brigada Militar, a agressão contra os ruralistas partiu dos sem terra. O subcomandante Coronel Paulo Mendes afirma que a Brigada apenas cumpriu com sua obrigação. “Sempre que há essas questões envolvendo o MST pulveriza na imprensa questões relacionadas à truculência da Brigada, os quais, de antemão, nós refutamos como inverídicas. Na verdade, o que a Brigada fez foi cumprir seu papel de polícia, ou seja, intervir na contenção de delitos. E foi isso que aconteceu”, diz.

Aí está. O PoPa estava em Jaguarão, hoje e ouviu algumas versões sobre o fato. O PoPa não publica o que não pode confirmar com fontes seguras. Mas estará pesquisando de fontes mais próximas do evento e postando por aqui.

O PoPa volta com mais uma informaçãozinha, que saiu no Estadão: O sub-comandante geral da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, conta que os policiais tiveram que intervir para evitar um confronto iminente entre MST e ruralistas. Segundo ele, os sem-terra estavam armados com foices e facões. "A audiência pública não tem garantia de segurança porque envolve segmentos antagônicos, com conflito iminente, de modo que a Brigada Militar está cancelando este evento".

Bem, a BM fez o que o Incra deveria ter feito, cancelado o evento. Falta de cabeça ou cabeça preparada para criar confusão? Ali em Pedro Osório, não há conflito de terras, como em outras regiões do País. Há, sim, uma intenção de criar conflitos, por parte de um movimento que nada tem de social e só quer promover a desordem e não a reforma agrária. O que está por trás disso? Sabe-se lá...

6 comentários:

Toscoman disse...

O MST é, realmente, um grande fenômeno. Essa entidade clandestina, que nem ao menos existe no plano jurídico, quando faz alegações as mais absurdas, ainda assim recebe credibilidade.

Em todos os enfrentamentos de sua história, o mesmo sucedeu: a Brigada Militar, sempre truculenta, foi quem começou a peleja. Quando alguma notícia desfavorável ao grupelho é publicada, ela foi, obviamente, manipulada pela maquiavélida direita-neoliberal-capitalista.

O MST é a grande vítima da "sociedade falida". E nós, a tal da sociedade, somos os algozes destes pobres campesinos quem em algum momento perderam suas terras para os terríveis capitalistas. Ou pelo menos este é o conto que querem nos fazer engolir. E há os que engolem.

CINEMAN disse...

Beleza a declaração imparcial do Brazeiro de Deus (virgi), bateram nos companheiros...

Toscoman disse...

Sempre que falo em MST, o PT me vem a cabeça logo na sequencia. A ultima do comunossauro Tarso Genro me rachou a cara: extraditou, em um curtissimo espaço de tempo, os infelizes cubanos que tentaram a fuga da Ilha-Prisão Cuba. Alegou que os dois estavam "quase implorando pra voltar pra casa". Dificil acreditar.

Eles fugiram de um lugar onde as condicoes de vida ja sao dificeis quando se faz parte de uma elite (no caso, elite esportiva), e, tenho certeza, sabem melhor do que ninguem que voltar pra ilha na condiçao de "desertores" tornaria esta vida ja miseravel em algo um tanto pior. Mesmo assim, o sr. Tarso Genro alega que eles assim o quiseram. Parece que vao investigar o caso, mas, como sempre, nao vale a pena esperar que isso va levar a algum lugar. Isto me lembra o caso Achille Lollo, o terrorista comuna italiano que, ao incendiar o apartamento de um oposicionista politico, matou duas criancas. Fugiu para o Brasil e a Italia ate hoje espera pela sua extradicao. E vai esperar sempre, se depender de nossos socialistoides... (ah, interessante: Achille Lollo ajudou a fundar o PSOL)

Outra do PT: os lideres do Partido estiveram, semana passada, na Siria fazendo um acordo com o partido ultra-radical Baath (que por sinal leva o mesmo nome do partido de Saddan Hussein, e possui uma orientacao bastante semelhante, dizem os entendidos).

Enfim, para os que acham que o comunismo morreu no fim dos anos 80, com a queda do mudo, basta olhar para a America Latrina e ver que esta merda ainda possui algum vigor.

CINEMAN disse...

O caso dos cubanos merece uma investigação profunda. A imprensa não teve acesso aos caras. Seria a coisa mais natural do mundo eles darem uma coletiva dizendo do seu arrependendimento e declarando que queriam voltar para a amada ilha e para o amado lider. Então foi qualquer coisa muito parecida com a Operação Condor, lembra? Lembra o caso dos uruguaios Universindo Dias e Lilian Celiberti aqui no Rio Grande do Sul? Agora amenizando.. Vocês sabem porque não existe nenhum medalhista cubano na natação, remo ou vela? Porque todos eles já estão em Miami.

CINEMAN disse...

Que os líderes do MST buscam mártires eu não tenho dúvida, desde que não sejam os próprios é claro. Eles sempre vão dar um jeito de empurrar um companheiro mais arrojado ou mais canhado para o sacrificio. E esta história de foices é de doer. Foice é arma, tão eficaz que é a que aparece naquelas tétricas figuras representando a Morte.

Pobre Pampa disse...

O representante do Incra queria fazer a tal audiência com o MST (não era para ser pública, então porque fazer DENTRO de Pedro Osório?). Queria a ajuda da Brigada Militar para a segurança do evento. O comandante teria dito que não garantia e que deveria ser cancelado, o que acabou acontecendo.