segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Venezuela

O PoPa não gosta de comentar coisas de outros lugares, mas o referendo é notícia no mundo inteiro, logo, por que não aqui também? Segundo o Estadão de hoje: "Em uma votação apertada, o 'não' recebeu 50,7% dos votos e o 'sim', 49,29%, no primeiro bloco de artigos submetidos à consulta. Além disso, 51,05% rejeitaram o segundo bloco de artigos, enquanto 48,94% o aprovaram. A abstenção no referendo foi de 44,9%". "O presidente Hugo Chávez em pronunciamento em rede nacional admitiu a derrota e pediu que o resultado seja respeitado". Ponto para Chávez! Com uma margem tão apertada, ele continua com prestígio junto ao povo venezuelano e ainda deu uma declaração de primeira hora, irretocável e com a humildade de um verdadeiro chefe de estado. Segundo a Folha, Chávez parabenizou os vencedores, mas advertiu que sua proposta "segue viva" e que a derrota sofrida não era definitiva, mas marcava um compasso de espera, um "por enquanto", até que se apresente uma nova ocasião de insistir nos planos rechaçados neste domingo.

Mas, seria este o resultado, se a votação fosse obrigatória, como no Brasil? A abstenção foi de quase metade do eleitorado!

3 comentários:

Carlos Eduardo da Maia disse...

Chávez estava bem "jururu" quando noticiou sua derrota. Discordo do PP. Não existe ponto para o Chávez, porque ele pega esse ponto e costura tudo ao redor. Não se pode dar chance ao tirano.

Pobre Pampa disse...

O PoPa também acha que ele vai tentar retomar o assunto, mas antes vai tornar o voto obrigatório... ele tem razão quando diz que perdeu por causa da abstenção. Este é o povo que está do lado dele, mesmo...

Toscoman disse...

De toda a situação, o que mais me impressiona é a idéia que se tem de democracia pelo continente. É algo como quanto mais referendos e plebiscitos sobre o que quer que seja, mais democrático é o país. "A voz do povo é a voz de Deus".

Fruto da noção de que democracia nada mais é do que participação popular em tomadas de decisão, ou apoio popular majoritário na tomada de decisões, então teremos situações como uma Alemanha de hitlerista como exemplo maior de democracia. Sem contar Mussolini, Stalin, Fidel e outros ditadores que contaram com apoio maciço da população, pelo menos em um momento inicial. Um referendo que propõe transformar um presidente em ditador e uma república em um Estado totalitário é resultado direto da incapacidade do latino-americano de entender como funciona uma sociedade moderna - de entender civilização. Não estamos no nível das teocracias maometanas do Oriente Médio, mas ainda estamos a anos luz do Ocidente civilizado.