segunda-feira, 28 de abril de 2008

Generación Y


Como qualquer um que viva próximo da fronteira, o PoPa conhece um pouco de espanhol e lê, com uma certa facilidade, os blogs na língua de Cervantes. Mas sabe que isto não é exatamente verdade para o pessoal que não tem esta vivência. Então, traduz alguma coisa deste fabuloso blog Generación Y, da cubana Yoani Sanchez. Hoje, ela escreveu:

Este domingo, no noticiário, o presidente da Central de Trabalhadores de Cuba, anunciou um primeiro de maio onde se evidenciará a "criação inventiva" do nosso povo. Suas palavras foram acompanhadas pelas conhecidas imágens de milhares de pessoas desfilando em uma praça cheia de cartazes, bandeiras e roupas multicoloridas. Ao ver tanta exuberância, voltou minha velha dúvida de onde se confeccionam todos estes elementos vistosos que resplandecem sob o sol de maio.

Se nos guiarmos pelas palavras de Salvador Valdés Mesa, se trata da iniciativa cidadã, a que desenha, pinta e colore os posters e as roupas. Todavia, todos sabemos que não é possível comprar em pesos cubanos - a moeda na qual se recebe os salários - nem uma bandeira cubana, nem tinta óleo ou acrílica e, muito menos, camisetas ou bonés. Tampouco se pode adquirir, legalmente, uma impressora para conseguir as letras perfeitas que exibem os cartazes das mobilizações. De onde, então, saem estes cartazes que predentem ser fruto da espontaneidade popular?

Conheço a resposta e saibam que pouco tem de ousadia de um operário que escreve suas demandas em um lenço. Tampouco se parece com a decisão de um sindicato autônomo, que organiza faixas para que seus membros exijam melhoras no trabalho. A maioria destes cartazes são orientados e desenhados por aqueles que os miram "enlevados" desde a tribuna. Eles sabem que se deixarem que os trabalhadores - por eles mesmos - façam os cartazes, provavelmente diriam outras coisas.

Finalmente, a transparência está chegando à Cuba. A ilha está no caminho oposto ao que os bolivarianos estão pretendendo, por absoluta falta de ter como segurar seu próprio povo.

Imagem: do site "Generación Y", bandeiras de Cuba.

3 comentários:

CINEMAN disse...

Ninguem segura mais a ilha PoPa. Uma coisa é os pobres venezuelanos que não sabem onde estão se metendo e outra são os cubanos que sabem muito bem onde se meteram.

Pobre Pampa disse...

Acho que Castro, o Raul, tem pressa para fazer estas modificações, antes que alguém o faça de maneira - na ótica deles, claro - errada.

Carlos Eduardo da Maia disse...

Yoani é dez. Ela escreve muito bem e a tradução está muito boa. Parabéns, Popa.