terça-feira, 19 de junho de 2007

Porto Alegre é Demais!

O Pobre Pampa morou por mais de 10 anos em Porto Alegre, tem três filhos nascidos lá e, ainda hoje, vai várias vezes por mês à capital. E, depois de muito estudo e observação, chegou à conclusão que o portoalegrense tem muitas razões para detestar a Metade Sul do Estado.

O trânsito, por exemplo: quem dirige em Porto Alegre, está qualificado para dirigir em qualquer lugar do mundo, até em Bagdá. Pistas de rolamento não são respeitadas nunca. Experimente entrar no túnel da Conceição e fazer o trajeto sinuoso DENTRO das faixas respectivas. Se for à noite, sem trânsito, isto é perfeitamente possível. Durante o dia, não vais chegar ao outro lado inteiro, com certeza! A Prefeitura precisou colocar obstáculos em algumas das curvas mais perigosas, como a volta do Gasômetro e o final da Beira-Rio, para manter os portoalegrenses "na linha". Buzinas: parece que existe um dispositivo ligando diretamente as sinaleiras da cidade às buzinas dos carros que estão atrás. Deu verde, o carro de trás buzina, imediatamente! E faixas de segurança (o que é isso???) para pedrestes? Se não tiver um sinal vermelho bem explícito, não arrisque! Motoboys são um problema em qualquer cidade brasileira, mas em Porto Alegre, eles atingiram o grau de estado da arte. Sua própria vida não tem valor algum para eles!

Junte tudo isso e poderás encontrar um chefe mal encarado, um atendente com bronca da vida, um serviço público de péssima qualidade e uma grande angústia geral. Não vais encontrar pessoas sorrindo no centro de Porto Alegre, nem no carro ao seu lado! Mas reconheço que é estressante viver em uma cidade muito grande e mal distribuída, e perder duas horas ou mais por dia para ir ao trabalho. E enfrentar pessoas de mau-humor e estressadas, no trânsito ou fora dele. Viver com medo de assalto, entre grades. Com flanelinhas, crianças malabaristas, esmoleiros e panfleteiros em cada parada.

Na Metade Sul, estes problemas são muito menores, talvez por falta de carros, por falta de dinheiro ou por falta de gente. Mas também podemos chamar isso de qualidade de vida. Aqui, ainda paramos nas sinaleiras à noite, com vidros abertos e portas destravadas. Muitas das nossas cidades ainda não conhecem grades em suas casas.

Em que a plantação de eucaliptos poderia mudar isso? Talvez aconteça de ter um pouco mais de dinheiro circulando, para fazer com que nossos jovens permaneçam por aqui e não precisem aventurar-se na grande Porto Alegre. Porque hoje exportamos nosso maior capital, que é nossa gente, que precisa deixar esta terra por absoluta falta de oportunidade.

Enquanto doutores de plantão e falsos ecologistas bradam contra algo que poderá modificar - para melhor - esta região, todos sairemos perdendo. Nós, da Metade Sul, que vamos perder uma grande chance de desenvolvimento e Porto Alegre, que continuará a receber o fluxo migratório em busca das oportunidades que não ainda não existem por aqui.

Mas não pense o leitor que o Pobre Pampa detesta Porto Alegre, pelo contrário! A vida em Porto Alegre tem muitas compensações: cinemas, teatros, restaurantes e muita expressão artística. Alguns dos melhores amigos do Pobre Pampa vivem por lá. E gostam! O que preocupa o Pobre Pampa é que, quando o assunto é polêmico, as paixões são mais fortes que a razão. Quantos dos que criticam o plantio de eucaliptos visitaram nossa região? Quantos sabem o que resta do Pampa Gaúcho? Quantos sabem o que é uma vossoroca ou o capim anoni ou a arenificação? E o que causou isto? O Pobre Pampa também é movido à paixão, como todo ser humano. Mas tem consciência do que é possível e do que é necessário para preservar o bem mais importante que existe: a vida humana. Com dignidade!

Imagem: O Laçador, obra do pelotense Antônio Caringi, eleito símbolo de Porto Alegre, com um poncho multicolorido, colocado pelo também pelotense Cattaneo (Capitão Gay). A demonstração de bom humor foi reprovada pelos que passavam no local, na oportunidade que, inclusive, chamaram a polícia. Não poderia ser diferente, afinal é Porto Alegre, capital... da intolerância.

4 comentários:

CINEMAN disse...

Não acho que Porto Alegre esteja contra o Pampa. Acho que os neo-ludistas é que conseguiram vender um peixe também que se tornou uma verdade única. E continuam vendendo. Minha neta de 12 anos ouviu da professora dela que os eucaliptos vão acabar com a água. Ainda não sei o que é que está por trás disto. Mas tem muito dinheiro correndo. Será que são os sindicatos europeus que temem perder seus empregos e financiam alguma ong de plantão para divulgar estas idéias? Ou são outros países produtores que temem a concorrência e fazem valer um jabá nas mesmas ongs?

Pobre Pampa disse...

Caro Cineman, acho que tua análise está muito apropriada. Deve existir algo muito maior que a eco-burrice, pois não há justificativa para o ódio que está sobre nossa terra. Meu filho, que está em um curso de formação profissional para carreira pública, me disse que também está tendo "aulas" sobre o assunto. Ou seja, o Estado também está patrocinando, mesmo que indiretamente, este ódio às florestas plantadas.

Ontem, li na blogosfera esquerdista, que iríamos ficar com os tocos e eles (as empresas) com a grana. Não sabem que eucaliptos de sete anos praticamente não deixam tocos? Que isto é coisa do passado, quando se cortavam as árvores e se deixava rebrotar? Aos 30 anos tinhamos um toco colossal, realmente, mas não é esta a verdade atual.

Pobre Pampa disse...

Interessante fato: os jornais da RBS silenciaram completamente sobre as audiências públicas realizadas no interior. Em Santa Maria, A Razão não escreveu uma única linha. Em Caxias do Sul, O Pioneiro também silenciou.

Então, aquela história de que a grande mídia estaria a favor da instalação das empresas de celulose na Metade Sul é balela! Eles também estão mancomunados com as hostes contrárias ao nosso desenvolvimento.

Interessante...

CINEMAN disse...

Ou seja.. tem grana no meio.