sexta-feira, 8 de junho de 2007

Integração Produtor/Agroindústria - Os Pêssegos de Pelotas



O pessegueiro (Prunus persica) é originário da China e muito cultivado na região de Pelotas. É uma espécie exótica, mas de grande importância para as pequenas propriedades da região. Na China, é utilizado até mesmo como árvore ornamental.

Também aqui na Zona Sul, temos um sistema de integração produtor/indústria, como o que já falamos de aves, suínos, fumo e outros. Mas aqui, infelizmente, não se explora a produção e sim o produtor. Historicamente vemos empresas que não são multinacionais - não são sequer regionais - explorando à morte os produtores de pêssego. E, pasmem, muitas delas de propriedade de pessoas oriundas da região da colônia. Ou seja, a exploração do produtor independe da nacionalidade do industrial e sim de sua ética. O Pobre Pampa é contra generalizações e reconhece que existem empresas sérias no setor, mas que não conseguem fazer com que os produtores em geral, tenham a merecida remuneração (como concorrer com predadores?).

O sistema público de pesquisa, desde sempre, busca a fruta ideal para a indústria, sem pensar em uma fruta para consumo in natura. Dizem ter variedades de duplo propósito mas estas, como diz um agrônomo local, não são totalmente adequadas nem para indústria, nem para consumo...

Esta situação, que se arrasta há décadas, é culpa da oligarquia rural? Do latifúndio? Do capitalismo internacional? O que o Pobre Pampa quer dizer, é que a exploração de produtores não é uma condição do porte da empresa ou do fato dela ser nacional ou multinacional. Na busca pelo lucro fácil, muitos acabam liquidando seu parceiro fornecedor - e afundando junto, como temos vários casos aqui mesmo na região.

Imagem: pessegueiro em parque na China.

7 comentários:

Carlos Maia disse...

A culpa é do latifúndio, da oligarquia rural e, também da desorganização do Estado brasileiro que não incentiva as novas produções.

CINEMAN disse...

No caso do pêssego eu sou obrigado a concordar com o Pobre Pampa. Enquanto as grandes empresas que trabalham com aves e suinos - Perdigão, Sadia, Avipal - tem uma visão de cadeia de produção as da região de Pelotas que trabalham com pêssego, não tem. No grupo de empresas com uma visão moderna de relacionamento com o produtor cabe incluir também as grandes multinaconais que trabalham com o fumo. É só passear na região colonial de Santa Cruz e Venâncio Aires para ver as casas e os carros dos pequenos produtores de fumo. Eles chiam mas nem pensar em largar o fumo. Agora, pelo que eu estou vendo a Metade Sul verá este tipo de trabalho com a Votorantin e as outras duas. E, o que é muito bom, sem meter o governo no meio.

Pobre Pampa disse...

Com o comentário, o Pobre Pampa quis chamar a atenção para vários detalhes:
1. o pessegueiro é uma árvore exótica;
2. é uma monocultura, aqui em Pelotas;
3. é produção de pequena propriedade, em geral;
4. as empresas são, na sua maioria locais e de pessoas oriundas da própria área rural;
5. a exploração do produtor é burra!
6. os governos, quando falam no assunto, somente pensam em pêssego para uso industrial;
7. Pelotas, apesar da origem "aristocrática", não é área de latifúndio.

CINEMAN disse...

Já que falastes em espécies exóticas vamos voltar aos eucaliptos. Li a normativa sobre a consulta pública que iniciará em Pelotas, ai no Teatro Guarani (de boas lembranças). Em primeiro lugar o documento exigido é a carteira de identidade, logo poderá participar todo mundo, mesmo os que não pertençam a região. E qualquer UM pode participar em todas as consultas públicas. Tu sabes como funcionavam aquelas caravanas do orçamento participativo, não é?
Segundo, se houver muita gente, a participação será limitada por representantes das organizações credenciadas. Quem são estas organizações? Ora, ONGs (eu diria que todas do mesmo lado), Universidades (ai teremos a Guerra de Secessão -Sul contra Norte), Organizações representantes dos trabalhadores, ou seja, sindicatos - podem até não representar os trabalhadores mas estarão todas do mesmo lado. Organizações representantes das classes patronais (possivelmente votando para o outro lado, mas conhecendo a turma possivelmente não vão aparecer, com excessão talvez da FARSUL), o governo - que possivelmente não vote. A FEPAM deve selecionar estes grupos na hora, mas me disseram que algumas ONGa já estão com as inscrições feitas então é bem possível que já não seja possível participar. Já tem caravanas prontas daquela organização estranha chamada de Via Campesina. A sorte é que a consulta é pró-forma. Não vale nada.

CINEMAN disse...

Meus informantes infiltrados na Via Campesina me informam que está preparada uma grande manifestação na frente do Cine Guarani na segunda feira. Claro que uma manifestação contra esta praga, esta espécie exótica sedenta, que quer acabar com o aquifero Guarani e com o Pampa Romantico.

Pobre Pampa disse...

A Força Sindical também vai estar lá, mas contra o zoneamento como ele está montado. Ou seja, nem todos os trabalhadores estão contra o desenvolvimento da Metade Sul, felizmente.

Anônimo disse...

Aprendi muito