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terça-feira, 8 de abril de 2008

Proibidos de produzir

Assentados de Pinheiro Machado, mostraram na cidade que são capazes de produzir eucaliptos e alimentos na mesma área. Mostraram alimentos colhidos em seus lotes, que depois foram doados a instituições da cidade. Por que a teimosia do Incra em impedir este tipo de atividade agrícola? Por que impedem estes assentados de produzir, enquanto a grande maioria dos assentamentos não produz sequer para alimentar a própria família? O programa desenvolvido pela VCP dá sementes e assistência técnica para os assentados produzirem, além dos eucaliptos, alimentos. O Incra dá dinheiro para assentamentos, mas não dá assistência técnica adequada, não auxilia na comercialização e incentiva, portanto, a perpetuação da pobreza nestes locais. Neste assentamento, em particular, não dá nenhum tipo de apoio. Castigo?

Esta atitude do Incra é burrice pura, provocada por uma paranóia anti-capital que provém de um sectarismo político. Não se dão conta que seu partido há muito tempo já deixou esta bobagem de lado e está abraçado ao "capitalismo selvagem", definitivamente e que o dono da VCP é um dos consultores políticos do LPT...

Imagem: Lula e o dono da VCP (e muitas outras), em foto de Ricardo Stuckert/PR

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Assentamentos devastadores

O PoPa leu, na Folha, que o TCU - Tribunal de Contas da União, está determinando ao INCRA (aquele que promove os assentamentos) regularize assentamentos na Amazônia, que não têm licença ambiental. De acordo com o TCU, os 750 mil pequenos produtores rurais da Amazônia são responsáveis por 18% do desmatamento da floresta.

Lá, como cá, estes assentados não conhecem nada de agricultura e preferem depredar o que encontram pela frente. Aqui destroem eucalíptos, lá a mata nativa...

E qual a desculpa do INCRA? O chefe de gabinete da presidência: "o tema da falta de licenciamento dos assentamentos remonta a três décadas e, até então, jamais foi enfrentado com efeito". Lindo, não? Cinco anos de governo não foram suficientes para resolver isto, de acordo com o PT.

sábado, 31 de março de 2007

Reforma Agrária - o que seria isto, realmente?


Um dos alvos prioritários do MST, aqui na Metade Sul, tem sido a Fazenda Southal, em São Gabriel. Improdutiva e com dívidas, seria a área ideal para fazer assentamentos produtivos. Mas o que aconteceu recentemente, coloca em dúvida as reais intenções dos fazedores de reforma que têm passado pelo Governo Federal: a fazenda, segundo peritos nomeados pela Justiça Federal, é produtiva... O INCRA, imediatamente, afirmou que, mesmo sendo produtiva, não estaria cumprindo sua função social, pois, segundo o superintendente do instituto, Mozart Dziedrichi, há utilização de áreas de preservação permanente no local.

Um momento... eles diziam que era improdutiva e isto deve implicar em não utilização das suas áreas para produção agropecuária. Agora, dizem que até mesmo as áreas de preservação estariam sendo utilizadas? Decidam-se!!!

Para registro: áreas de preservação permanente podem ser utilizadas economicamente, desde que não sejam descaracterizadas e aí entra a pastagem nativa, para a produção de carne. As áreas do Pampa devem ser tratadas de maneira muito delicada, realmente. É um sistema frágil, com solo raso e muito sujeito à erosão laminar, em função dos ventos. Esta seria a origem dos desertos do Alegrete, inclusive. Meter um arado nestas áreas, pode ser muito perigoso.

Mas o que mais me inquieta é a origem das famílias que, sistematicamente, têm sido assentadas na Metade Sul. Não são filhos dos colonos que existem aos milhares em nossa região. Não são oriundos da maior concentração de minifúndios da América Latina, que é a região de Canguçú, São Lourenço e interior de Pelotas. Não são colonos calejados e conhecedores do solo e do clima da região, como os de Colônia Nova, em Aceguá, área extremamente produtiva, sem apoio oficial. E os assentamentos que se instalaram por aqui não são mais produtivos que a fazenda Southal. Aliás, muito menos.

Enquanto temos dificuldades enormes de infra-estrutura social na região, agravamos nossos problemas com a importação de pseudo-produtores de outras áreas do Estado. Gente que, enganados com a promessa de uma nova vida, engrossam a fileira dos pobres daqui.

Em tempo: não defendo o latifundiário Southal, cuja dívida com o sistema financeiro seria maior que o valor de suas terras, mas um sistema de reforma agrária sério, que levasse em consideração a produção de alimentos, a dignidade do produtor e a paz no campo e não apenas divulgar o número de famílias assentadas (alguém já viu a divulgação de quantos permaneceram nos seus lotes?).

Uma reforma agrária com filhos de produtores que também precisam de apoio.

Uma reforma agrária com produtores que já estão no campo, mas que não têm condições ideais de produzir para seu próprio sustento e menos ainda para a sociedade.

Uma reforma agrária que não discriminasse os assentados que fizessem agricultura de longo prazo, plantando árvores - O INCRA ameaçou os produtores que estavam plantando eucaliptos com a perda de seus lotes, e a turba do MST arrasou com as pequenas árvores aos gritos de "morre bebedor de água"! Interessante notar que os lotes onde os eucalíptos eram maiores (exigiria o uso de machados e algum esforço físico) não foram depredados...

Imagem: Sachola (enxada) - Instrumento primordial para todo o trabalho manual da terra, como a mobilização, abertura de regos, corte de mato, etc. Foi sendo substítuida por máquinas que aproveitam a força dos animais para realizar as tarefas.