sexta-feira, 13 de abril de 2007

Da invasão européia aos nossos dias


"E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se a um pouco alonguei, Ela me perdoe. Porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo.

E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro -- o que d'Ela receberei em muita mercê".

Assim terminava a célebre carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei Manuel I, de Portugal. A primeira correspondência brasileira já encerrava fazendo um pedido nepótico ao superior hierárquico. Nada mal para um primeiro uso do jeitinho brasileiro que nada mais é que pura corrupção. Durante estes mais de 500 anos, este jeitinho foi aprimorado, lapidado e chegou ao seu melhor momento no atual governo, cuja "coalizão" deixaria "El Rei D. Manuel I" babando!

Aqui no RS, temos uma empresa de segurança privada fazendo a segurança da Secretaria da... Segurança! Um contrato do governo anterior que, segundo o ex-secretário Bacci, a governadora não permitiu que fosse cancelado. Tem também um contrato de limpeza de delegacias do interior, que nunca foram limpas por este pessoal, mas pelos próprios funcionários públicos. Está mais do que na hora de todos os contratos serem transparentes e divulgados amplamente para que a população possa fazer sua parte, que é fiscalizar a aplicação de seu dinheiro. No lugar de verbas de publicidade, verbas para divulgar este tipo de contrato, para orientar a população a fiscalizar a boa aplicação da grana pública. Muito me parece que esta nunca foi a intenção de nenhum governante por estas plagas. Lembram a carta? Mesmo sabendo que a terra já tinha dono, pois encontraram os índios ao aqui chegarem, Pero Vaz relata: "do que nesta Vossa terra vi". Pois alguns políticos e burocratas devem pensar: "nesta Nossa terra", mas não certamente com ímpetos patrióticos e sim com uma torpe noção de propriedade privada, mesmo. E para isso, aliam-se inimigos para dividir o butim.

Imagem: fac-simile da carta de Pero Vaz de Caminha

5 comentários:

CINEMAN disse...

Gostei da carta do Pero Vaz mas quero que me ajudes a entender o que está havendo. A Zero Hora está em franco apoio ao novo secretário de segurança e indiretamente queimando o anterior. O novo secretário é amigo do Tarso Genro, era o chefe da policia federal designado pelo PT, e saiu, muito oportunamente, na ZH que ele não tem partido. A declaração do secretário naõ foi de que vai continuar com a dureza contra os bandidos mas sim contra a corrupção, leia-se policial. Não está cheirando a Bisol?

Buggyman disse...

Bem, o que mais achei estranho nesta história toda, foi o fato do novo secretário ter pedido a benção ao Ministro. O chefe dele deve ser o diretor-geral da PF, este sim subordinado ao Ministro. Não sei se houve uma quebra de hierarquia, mas acho que seria um assunto puramente administrativo, pedir licença ao seu superior e então assumir a pasta, sem que houvesse um envolvimento maior do ministro nos assuntos internos do governo Yeda. Ela, tão ciosa de que assuntos do governo não devem ser tratados publicamente (tem medo do que, exatamente?) não deveria aceitar uma atitude como esta, que parece deixar nossa secretaria meio como uma filial do Governo Federal.

Aliás, isto foi dito pela imprensa. Que esta relação entre Secretário e Ministro seria ótimo para o Estado. Como assim? As coisas somente funcionam com afilhados? O tempo dirá...

CINEMAN disse...

Se tu leres a ZH de hoje vais ver que parece que foi passada uma ordem para todos os comentaristas serem extremamente elogiosos ao novo secretário e não haverem elogios ao antigo. Mas mandaram prender os delegados que o ex-secretário tinha acusado. Tudo muito estranho. Vamos aguardar.

CINEMAN disse...

Mais ZH. A edição de domingo finalmente esclarece tudo, apesar de subliminarmente ligar a matéria da saida do ex-secretário com uma matéria sobre os caçaniqueis. O negócio foi pura ciumeira, da professora e de seus diletos alunos. E apareceu o caçador da história da Branca de Neve que nós falamos no comentário da postagem anterior. É o Laçador, quem diria?

CINEMAN disse...

Ops! Hoje tivemos reza de mãos dadas. Eu não falei que estava cheirando a Bisol?