quarta-feira, 18 de abril de 2007

As Florestas Encantadas

Apesar de estar no Rio Grande do Sul há mais de 150 anos, apenas agora o eucalipto foi elevado à condição de inimigo público. Quais as justificativas técnicas?

É uma espécie exótica... bem espécies exóticas são cultivadas desde a invasão européia nestes pagos. Ainda bem, pois estaríamos comendo mandioca, peixe e alguma caça até hoje, já que arroz, feijão, morango, tomate, alface, tudo é exótico. O milho, apesar de ser da América do Sul, não existia por aqui, também.

Não, a justificativa seria que é uma ÁRVORE exótica. Bem, também o é o pêssego, a maçã, o kiwi, a pecaneira, a acácia negra e tantas outras cultivadas aqui na Metade Sul (e sempre como monoculturas) e das quais não se fala em extermínio ou proibição.

Não, os "técnicos" não podem permitir a MONOCULTURA! E o que seriam as outras culturas que temos por aqui e pelo mundo afora? Como pretender alimentar a humanidade com pequenas lavouras?

Na Assembléia Legislativa, as opiniões são francas, com poucas vozes levantando-se em defesa de nossa terra. O dep. petista, ELVINO BOHN GASS disse em um evento "Peço a transcrição nos anais da Casa do jornal ExtraClasse, do Sindicato dos professores – Sinp (o autor errou o nome do sindicato, que é Sinpro/RS)–, edição 98, com o título seguinte: Pampa pode virar deserto verde. artigo servirá para que façamos uma reflexão sobre monoculturas, nesse caso a monocultura de árvores, que para nós não representa desenvolvimento". E o que diz o trabalho citado pelo nobre deputado? A transcrição está no site da AL. Entre as preciosidades encontradas, estão algumas declarações pseudo-científicas, como: "Entre os danos ambientais denunciados pelo Movimento estão a degradação do solo, que geralmente fica descoberto nos dois anos após a plantação e nos dois anos depois da colheita, a erosão e a compactação gerada pelo uso de máquinas pesadas. Outro grave impacto, apontado por Ana Filippini (ativista do grupo uruguaio Guayubira), é a escassez dos recursos hídricos em função do alto consumo de água necessário para as monoculturas". Porque a citação de um jornal agregado a um sindicato que, por profissão, nada entende de monocultura, consumo de água, espécies exóticas, agricultura em geral? Porque não citar o jornal do CREA, por exemplo? Talvez porque lá não tenham essas baboseiras escritas... Se tiver interesse em ler o conteúdo integral , veja em http://www.sinpro-rs.org.br/extraclasse/dez05/especial.asp. Mas não recomendo, claro. Apenas para registro: o deputado, que é do noroeste do Estado, área de grandes extensões de monocultura de soja, trigo, milho, aveia, nunca elevou a voz contra estas culturas...

Solo descoberto? Talvez eles não saibam que o solo fica mais tempo descoberto nas culturas anuais plantadas com tecnologia convencional. E há a matemática burra de tentar dizer que a terra fica desnuda por quatro anos (dois anos depois do plantio e dois anos depois da colheita). Como o plantio é imediato ao corte, seriam apenas dois anos, mas isto não é verdade, pois a área não é lavrada, como na agricultura tradicional.

Erosão e compactação? O trânsito de equipamentos pesados somente se fará a cada sete anos, quando da colheita e, mesmo assim, não são mais pesados que colheitadeiras de soja, trigo, milho, arroz...

Alto consumo de água? O eucalipto consome água como qualquer ser vivo e lavouras de arroz, com absoluta certeza, consomem muito mais. Mas não queremos acabar com a produção arrozeira. Ou queremos?

Onde está a verdade, então?

Vejam estas declarações do pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Ludwig Buckup (de espetacular curriculum, mas sem nenhuma presença na Metade Sul):

"A gente nota que há uma preocupação de se fazer um zoneamento que leve em conta as peculiaridades ambientais do espaço meridional do Estado, com as áreas apropriadas e não apropriadas para o plantio. Acho que é um documento que deve ser seguido mesmo. Mas é claro que as indicações que estão naquele zoneamento conflitam com o interesse das empresas, de plantar onde querem e como querem, e com cobertura do governo".

"As empresas, no seu propósito, não acenam com nenhuma medida que realmente leve em conta a preservação ambiental. Elas querem plantar e colher, não importa onde nem como e a que custo. Os custos ambientais eles desconhecem, não querem. As manifestações, especialmente da Ageflor, são todas neste sentido. O que importa é aquilo que tem sido anunciado, até pelo governo, do resgate econômico da Metade Sul a qualquer custo, nem que seja o custo ambiental. Por isso, a única alternativa que existe agora é que o zoneamento ambiental seja respeitado, e de que forma alguma seja prorrogado o Termo de Ajustamento de Conduta".

O professor (
http://lattes.cnpq.br/5441205171157685) parece não conhecer a realidade destes projetos. Devemos salientar que os projetos das empresas florestais contemplam, sim, medidas importantes para a conservação ambiental. Nos seus projetos, é previsto o levantamento preliminar para identificação da fauna e flora, localização das APP (áreas de preservação permanente), da reserva legal de 20%, do interesse histórico ou arqueológico e a criação de corredores entre estas áreas destacadas, para a circulação de espécies nativas. Além disso, prevê a preservação de nascentes e cursos d´água, como determina a legislação nacional e estadual e atendendo às mais exigentes normas internacionais. Com isto, apenas 50% das áreas adquiridas pelas empresas seriam realmente plantadas com eucalíptos.

Na proposta de Zoneamento realizada pela FEPAM a equipe técnica foi composta por um arquiteto, quatro biólogos, dois geógrafos, um engenheiro químico e um engenheiro florestal (sete mulheres e três homens). Nenhum agrônomo, nenhum veterínário. Considerando que as principais atividades da região referem-se à agricultura e à pecuária, é uma estranha divisão de tarefas. Já nos "Princípios Norteadores" deste trabalho, encontramos a primeira aversão ao eucalípto, denotando que o trabalho foi dirigido contra esta espécie: "Buscar o fortalecimento e a diversificação da economia local, evitando a dependência da produção florestal a um único produto (o grifo é meu)". Os agradecimentos do trabalho também referem-se à "equipe técnica do Serviço da Região do Litoral, do Guaíba, do Uruguai, do GeoFepam e Divisão Agrossilvopastoril da FEPAM". Onde estariam os agradecimentos às universidades da Metade Sul (
nunca é demais lembrar que a UFSM elaborou um inventário florestal gaúcho), às entidades ligadas ao agronegócio (mesmo públicas, como a EMATER) e a entidades da região da Campanha ou da Fronteira Oeste? Não foram consultadas neste trabalho? Talvez os zelosos técnicos (não sei quantos seriam da Metade Sul e quantos estão aquerenciados em Porto Alegre) não tenham entendido que para haver uma diversificação, algo novo tem que entrar na economia...

Onde está a verdade?

A Metade Sul enfrenta um índice de desemprego da ordem de 20%. Falta emprego, falta dignidade, falta apoio político. Quando aparecem projetos que podem minimizar esta situação, a tecnoburocracia oficial trata de barrar estas tentativas, sob a alegação de preservação ambiental. Mas a espécie mais ameaçada de extinção, nesta região, é o "homem digno". Aquele que tem emprego e pode sustentar dignamente sua família. Mas, para esta espécie, não há defensores

Onde está a verdade, então?

Porto Alegre contra o Pampa! Esta é a verdade!

Imagem: Guerreiro Farroupilha (autor: JR)

6 comentários:

CINEMAN disse...

Meu caro Buggyman, nao adiantam argumentos racionais quando estamos falando de religiao. Este negocio do deserto verde já virou dogma. Eles nao tem necessidade de provar estas enormes estultices porque ja colocaram como dogma. A esquerda ja teve o academico Lisenco, que com besteiras semelhantes levou a Uniao Sovietica ao desastre agrìcola. Ciencia nao conta. O Dogma è a verdade. Bem colocastes que as obras citadas para embasar os pronunciamentos, como o do deputado BG, vem dos locais mais incriveis e jamais de origem tècnica. Mas vai em frente. No fim a razao sempre prevalece, atè porque os dogmas desmoronam sozinhos.

Anônimo disse...

Tchê, o que isso? Que ciência é essa que evocam? A ciência produzida pelas empresas?
Não dá para comparar as plantações geradas pelas empresas da celulose com a reserva energética que os agricultores e o fazendeiros tem. Outra coisa, tão apegado ao pampa como és...por que tranformá-lo em uma lavoura de eucalipto?
A mandioca é de tão longe quanto o feijão, e o tomate é nativo dos andes, junto com a batata. O milho, era cultivado aqui pelos indígenas...que comiam sim, entre outras coisas, carne de caça, peixe, e pinhão. Tá te faltando estudo, hein?!?

PoPa disse...

Caro Anônimo, reli o texto para saber onde estava escrito que comparei a plantação de eucaliptos com reserva energética e não encontrei nada sobre isso. Apenas afirmei - e afirmo - que uma lavoura de eucalipto é exatamente a mesma coisa que uma lavoura de soja, milho, feijão ou o que seja. Antes, poderíamos dizer que não era alimento, mas atualmente, milho e soja já estão sendo plantados para combustível...

Milho não é nativo da Metade Sul - é americano, com certeza, como é o tomate e a batata, mas não do Pampa! Portanto, não é nativo ou, por acaso, uma fronteira de país é que define o que é nativo?

Mas não sou apegado ao Pampa por motivos telúricos. Sou apegado, sim, por que quero que esta terra se desenvolva como qualquer outra, que dê oportunidade aos seus filhos.

E concordo que esteja me faltando estudo. Parafraseando Sócrates, somente quem sabe alguma coisa, sabe que nada sabe...

Vasco ceretta disse...

É UMA DESGRAÇA, O QUE PARTIDARIOS DE PARTIDOS E ONGs, DE INDEOLOGIA COMUNISTA ESTÃO PROMEVENDO NO BRASIL.
SOBRA IDEOLOGIA BURRA E FALTA INTELIGENCIA.

Vasco ceretta disse...

É UMA DESGRAÇA, O QUE PARTIDARIOS DE PARTIDOS E ONGs, DE INDEOLOGIA COMUNISTA ESTÃO PROMEVENDO NO BRASIL.
SOBRA IDEOLOGIA BURRA E FALTA INTELIGENCIA.

PoPa disse...

Obrigado pela visita, Vasco! Concordo contigo que a ideologia - seja ela qual for, mas a comunista em especial - é perniciosa para o desenvolvimento. As pessoas - muitas com boas intenções - agem por controle remoto, fazendo o que outros mandam. Estes, com intenções não tão boas! Um pouco do que acontece é o conhecido "politicamente correto" que faz com que pessoas inteligentes, ajam como imbecis...