quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama & Amorim

A notícia saiu no Estadão: GENEBRA - O governo brasileiro comemorou a vitória do candidato democrata Barack Obama nas eleições presidenciais nos Estados Unidos nesta quarta-feira, 5. O chanceler Celso Amorim espera que agora haja uma "distensão das relações Estados Unidos com América Latina, principalmente em relação à Venezuela e à Cuba". O PoPa não sabe o que servem no café da manhã, em Genebra, mas acredita que Amorim deveria ter pensado um pouco antes de falar. Os Estados Unidos não mudaram em nada com esta eleição. Provavelmente, o Quênia poderá ter alguma vantagem comercial, pelos laços familiares com Obama.

Mas, mesmo que o governo afrouxe um pouco o boicote à Cuba, as relações de empresas americanas com Cuba se restringirá a comprar e vender - finalmente - charutos cubanos. Vender para Cuba é um passo bem mais complicado, pois a Ilha não tem crédito para isto e gringos não são de fazer negócios, digamos, na base da solidariedade... As empresas brasileiras que vendem para Cuba, por exemplo, o fazem com financiamentos do BNDES. Se os cubanos não pagarem, azar nosso (do povo, não da empresa).

Venezuela? Podem tirar o cavalinho da chuva, pois esta é uma rua de duas mãos. Chavez não tripudia Bush em seus longos discursos. Tripudia os americanos! E isto não vai ser esquecido facilmente.

O PoPa não vê significado maior na vitória de Obama para o resto do mundo. Mcain seria mais agressivo, com certeza, mas como saber se uma atitude mais suave não poderia ser interpretada como fraqueza e iniciar-se uma nova guerra fria com o recrudecimento do poder da "mãe" Rússia? Só o tempo dirá.

Mas o PoPa, que não entende muito de eleições americanas, acha que o sistema é ótimo. Analfabeto não vota! Aliás, analfabeto FUNCIONAL não vota. Não porque seja proibido, mas porque é impossível interpretar aquela enorme cédula de votação por quem não tenha capacidade de leitura... E isto faz uma enorme diferença no resultado, com certeza!

Concluindo, é triste ver que um jornal do porte do Estadão estampa esta notícia do governo brasileiro ter comemorado... Quem comemorou - se o fez - foi Amorim!

3 comentários:

Charlie disse...

Internamente ele vai aplicar a fórmula latino-americana do sucesso, com altos impostos para financiar subsídios populares, algum protecionismo de caráter nacionalista, discursos magníficos e por aí afora.

Externamente os Estados Unidos continuarão sendo os Estados Unidos. E é bom que isso não mude. Antes a potência americana no controle do que qualquer outra coisa que exista no mundo hoje.

CINEMAN disse...

O Charlie saca os democratas. Aumentar os impostos para alguma coisa um pouco mais sofisticada que o nosso bolsa familia. Alguns subsidios para os que não tem competência para competir (inclusive com nós), algumas políticas de discriminação positiva para minorias ainda em minoria. Tudo igual. A única coisa um pouquinho diferente é que tá pintando um negócio meio messiânico que eu não sei onde é que vai dar.

PoPa disse...

O problema que o PoPa vê na eleição de Obama, não é por causa da cor da sua pele, da sua origem africana ou do seu estilo populista. O maior problema é que a população americana - e até mundial - está esperando um salvador da pátria, como o nosso povo com Lpt. E isso, claro, não está ao alcance do jovem Harvardiano, como não está ao alcance de ninguém nos tempos atuais.

Comentários, como os que foram escritos em jornais de peso, de que a crise continua APESAR da eleição de Obama, dizem muito desta linha de pensamento retrógrado.

Este vai ser o grande desafio de Obama. Mostrar ao mundo e aos americanos que ele é adequado ao cargo, mas que não será o messias esperado...