sexta-feira, 23 de março de 2007

Pobre Pampa

Em meio à riqueza, o Pampa Brasileiro está se distanciando das áreas mais favorecidas (ou deveria dizer, menos prejudicadas) do Estado do Rio Grande do Sul. Nesta área, estão localizadas riquezas minerais diversas, como carvão, granito, mármore, cobre, titânio e tantas outras. Mas as maiores riquezas são a extensão de terra e a energia solar disponíveis por aqui. Com estas duas fantásticas riquezas, podemos produzir muito, podemos manter nossa gente por aqui mesmo, podemos gerar emprego, renda e, de quebra, proteger o ambiente terrestre.

O Pampa Gaúcho ocupa boa parte da Metade Sul do Estado e tem uma parcela muito pequena da população gaúcha e menor ainda do PIB do Estado. Esta situação gerou uma grave crise que atravessou a metade do século passado e chega ao atual sem solução à vista. Com nosso deserto populacional, não geramos renda suficiente para manter nossos filhos na região, entrando em um círculo vicioso que está sendo alimentado, atualmente, pelo eco-terrorismo.

Uma luz se vislumbrava para ajudar a romper este círculo perverso: a agricultura de médio prazo, com a plantação de eucalíptos. Romperia, pois traria renda aos proprietários rurais. Romperia, porque estes proprietários teriam que contratar pessoas para trabalhar nestas áreas. Romperia, pois técnicos especializados teriam que ser contratados para trabalhar na assistência técnica destas lavouras. Romperia, porque outras atividades agropecuárias surgiriam ou seriam ampliadas no rastro desta. Romperia, pois indústrias seriam instaladas por aqui, com todos os reflexos sociais que trazem as grandes indústrias. Alguns ruins, com certeza, mas com um balanço final extremamente positivo para a região.

De quebra, a produção de eucaliptos para a produção de celulose estaria preservando matas nativas destruídas com este mesmo propósito em algum lugar do mundo. E estaria capturando carbono da atmosfera, ação perseguida mundialmente e que, inclusive, tem valor econômico.

Porque o eco-terrorismo luta contra nossa terra? Porque nenhuma voz se eleva quando se trata de bio-combustível? Plantar cana-de-açúcar, mamona ou sei lá mais o que, para a produção de combustíveis é ecologicamente mais estável que a agricultura de eucaliptos?

Ouvi falar no bioma Pampa. Onde ele está, atualmente? nos desertos do Alegrete? nas pastagens importadas de trevos, azevém, cornichão? Na infeliz e mal-sucedida experiência com o capim Anoni? Nos campos descapitalizados e semi-desertos à espera de desapropriações por serem "improdutivos"? À quem realmente interessa a preservação da pobreza na Metade Sul do Estado?

Os uruguaios devem estar, juntamente com a Bahia, torcendo para que o atraso gaúcho vença mais esta batalha, atraindo as "papeleras" para seu território.

Um comentário:

CINEMAN disse...

Estava na hora de alguem fazer um blog para discutir estas barbaridades que estão ocorrendo na Metade Sul. Parabéns Buggyman