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domingo, 13 de abril de 2008

Capitalistas de araque

Pois os produtores de carne estão tendo, há algum tempo, um outro mercado para vender seu produto: a venda de gado em pé para o oriente médio. Questão de mercado, pois vendem onde têm melhores preços e melhores condições. No Rio Grande do Sul, ou melhor, na Metade Sul do RS, existem produtores especializados em produzir terneiros, que são vendidos para terminadores, os também chamados invernadores. Pois o pagamento destes animais depende, intrinsicamente, do mercado que os invernadores dispõem. Se são mal pagos, também pagam mal aos seus fornecedores, os produtores de terneiros. Lógica mercadológica (ô cacofonia!).

Então, a indústria - que pode exportar seu produto com um excelente ganho - resolve o quanto vai pagar ao produtor. É um fato de que cerca de 70% do mercado de carne "legal" é dominado por uma única empresa. Logo, é quem determina o preço. Entra nesta equação perversa, uma nova variável, que é vender o terneiro vivo para o oriente. E qual a idéia da indústria? Pagar mais pelo produto? Claro que não! Quer que o governo tribute este tipo de negócio!!!

E, atenção, é uma quantidade significativa de animais que está sendo exportada? Não! Muito menos do que ia para os confinamentos de São Paulo na década passada! O curioso é que estes mesmos frigoríficos, que pretendem que seja taxada a exportação pelos produtores, fazem importações de gado em pé do Uruguai, sem que os produtores tenham pedido taxação para isto e com a intenção óbvia, de conseguir melhores preços, e não por falta de matéria prima.

Como pode se ver, capitalistas, mas não tanto... no lugar do mercado, querem a mão do governo para garantir seus lucros.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Rastreabilidade...

A Unidade Européia achou que a rastreabilidade bovina brasileira era uma verdadeira bobagem e que não rastreava nada. Decidiu que importaria apenas das melhores 300 propriedades. Com a velha mania brasileira de achar que poderia dar um "jeitinho", o governo apresentou uma lista de 2.681 propriedades. É um número muito pequeno para o tamanho da pecuária brasileira, mas queremos ou não o tal mercado?

Então, a UE resolveu suspender a importação de carne brasileira. O governo brasileiro, então, reduziu para 600 o número de propriedades (ainda o dobro do solicitado pela UE), dizendo que as outras tinham "pequenos" problemas burocráticos, como a falta do CPF do proprietário, falta de documentos de importação de animais, inexistência de notas fiscais... Caramba! Que tipo de rastreabilidade existe no Brasil, se as melhores estão assim? E não venham dizer que é um pequeno problema burocrático! Sem notas fiscas e documentos de importação de animais, que espécie de rastreabilidade nós temos? e, que diabo de produtor de ponta é esse, que não tem nem CPF? O PoPa sabe: não existe seriedade na rastreabilidade bovina brasileira!

Estamos brincando com um mercado muito sério, que envolve interesses enormes, como os dos produtores britânicos, que não querem deixar de vender para a UE e não querem ter seus preços aviltados.