Micheletti foi fundo e declarou: "O governo, até o dia de hoje, respeitou o estatuto internacional da representação brasileira em Honduras. Isso, em que pese o Brasil não estender esta cortesia e reconhecer o governo constitucional de Honduras"... "Faço um chamado ao governo do Brasil a que respeite a ordem judicial ditada contra o Senhor Zelaya, entregando-o as autoridades competentes de Honduras"... "os olhos do mundo estão sobre o Brasil e também sobre Honduras. Não deixemos que as paixões de uns poucos manchem a reputação e a imagem de nossa gente. O problema que foi apresentado para Honduras é de natureza interna e deve ser resolvido pelas autoridades hondurenhas."A vergonhosa participação brasileira neste episódio supera em tudo o que já foi feito em termos de relações internacionais pelo Itamaraty neste governo. Trata-se de uma ingerência direta em um terceiro país onde, mesmo não reconhecendo o governo atual, tem um espaço diplomático. Que tivesse se retirado de Honduras, então.
Não se trata, obviamente, de receber alguém que foi destituído e ainda está no país buscando salvar-se. Isto seria uma ação humanitária. O que aconteceu, no entanto, foi que Zelaya retornou clandestinamente ao país e buscou asilo no lugar onde sabia que seria recebido com honras. Agora, a conta do vago vai ser nossa, e ele não se contenta com pouco. Cama, comida e roupa lavada.
Não bastasse esta vergonha, o Itamaraty ainda quer que o governo de Micheletti garanta a segurança da embaixada brasileira e, consequentemente, de Zelaya! Pois deveriam deixar toda a região despoliciada. Ele que se aguente com seus parceiros.
Imagem: Dida Sampaio, do Estadão - cara de tacho!