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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Porto Alegre é demais!

O PoPa não é um grande fã de Porto Alegre, apesar de todos seus filhos terem nascido por lá. Nada a ver com o povo, mas com o trânsito, com a violência, com as áreas azuis e com esta mania de pressa e urgência. Mas a notícia que o PoPa leu, na ZH de hoje, dá conta que o portoalegrense perdeu seu estilo contestador. Em um universo de mais de um milhão de eleitores, apenas 20 mil decidiram o futuro do Pontal do Estaleiro. Bem democrático, sem dúvida, também demonstrando que os empacadores do progresso são muito mais articulados que o restante da população. Aliás, a grande maioria da população, provavelmente, não tem o mínimo interesse do que possa ser feito ali. Aliás, provavelmente este povo que votou é o mesmo que vocifera contra o desenvolvimento da Metade Sul e do Pampa, criando dificuldades para culturas alternativas, como o eucalípto.

Ao PoPa, também pouco importa o que vai ser feito por ali, pois - como disse - não é um grande fã de Porto Alegre. Mas esta situação serviu para demonstrar que Fogaça é um prefeito pífio e sem pulso e que não poderia ser um bom governador. Para o PoPa, portanto, está definido mais um no qual não votar.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Porto Alegre é Demais!

O Pobre Pampa morou por mais de 10 anos em Porto Alegre, tem três filhos nascidos lá e, ainda hoje, vai várias vezes por mês à capital. E, depois de muito estudo e observação, chegou à conclusão que o portoalegrense tem muitas razões para detestar a Metade Sul do Estado.

O trânsito, por exemplo: quem dirige em Porto Alegre, está qualificado para dirigir em qualquer lugar do mundo, até em Bagdá. Pistas de rolamento não são respeitadas nunca. Experimente entrar no túnel da Conceição e fazer o trajeto sinuoso DENTRO das faixas respectivas. Se for à noite, sem trânsito, isto é perfeitamente possível. Durante o dia, não vais chegar ao outro lado inteiro, com certeza! A Prefeitura precisou colocar obstáculos em algumas das curvas mais perigosas, como a volta do Gasômetro e o final da Beira-Rio, para manter os portoalegrenses "na linha". Buzinas: parece que existe um dispositivo ligando diretamente as sinaleiras da cidade às buzinas dos carros que estão atrás. Deu verde, o carro de trás buzina, imediatamente! E faixas de segurança (o que é isso???) para pedrestes? Se não tiver um sinal vermelho bem explícito, não arrisque! Motoboys são um problema em qualquer cidade brasileira, mas em Porto Alegre, eles atingiram o grau de estado da arte. Sua própria vida não tem valor algum para eles!

Junte tudo isso e poderás encontrar um chefe mal encarado, um atendente com bronca da vida, um serviço público de péssima qualidade e uma grande angústia geral. Não vais encontrar pessoas sorrindo no centro de Porto Alegre, nem no carro ao seu lado! Mas reconheço que é estressante viver em uma cidade muito grande e mal distribuída, e perder duas horas ou mais por dia para ir ao trabalho. E enfrentar pessoas de mau-humor e estressadas, no trânsito ou fora dele. Viver com medo de assalto, entre grades. Com flanelinhas, crianças malabaristas, esmoleiros e panfleteiros em cada parada.

Na Metade Sul, estes problemas são muito menores, talvez por falta de carros, por falta de dinheiro ou por falta de gente. Mas também podemos chamar isso de qualidade de vida. Aqui, ainda paramos nas sinaleiras à noite, com vidros abertos e portas destravadas. Muitas das nossas cidades ainda não conhecem grades em suas casas.

Em que a plantação de eucaliptos poderia mudar isso? Talvez aconteça de ter um pouco mais de dinheiro circulando, para fazer com que nossos jovens permaneçam por aqui e não precisem aventurar-se na grande Porto Alegre. Porque hoje exportamos nosso maior capital, que é nossa gente, que precisa deixar esta terra por absoluta falta de oportunidade.

Enquanto doutores de plantão e falsos ecologistas bradam contra algo que poderá modificar - para melhor - esta região, todos sairemos perdendo. Nós, da Metade Sul, que vamos perder uma grande chance de desenvolvimento e Porto Alegre, que continuará a receber o fluxo migratório em busca das oportunidades que não ainda não existem por aqui.

Mas não pense o leitor que o Pobre Pampa detesta Porto Alegre, pelo contrário! A vida em Porto Alegre tem muitas compensações: cinemas, teatros, restaurantes e muita expressão artística. Alguns dos melhores amigos do Pobre Pampa vivem por lá. E gostam! O que preocupa o Pobre Pampa é que, quando o assunto é polêmico, as paixões são mais fortes que a razão. Quantos dos que criticam o plantio de eucaliptos visitaram nossa região? Quantos sabem o que resta do Pampa Gaúcho? Quantos sabem o que é uma vossoroca ou o capim anoni ou a arenificação? E o que causou isto? O Pobre Pampa também é movido à paixão, como todo ser humano. Mas tem consciência do que é possível e do que é necessário para preservar o bem mais importante que existe: a vida humana. Com dignidade!

Imagem: O Laçador, obra do pelotense Antônio Caringi, eleito símbolo de Porto Alegre, com um poncho multicolorido, colocado pelo também pelotense Cattaneo (Capitão Gay). A demonstração de bom humor foi reprovada pelos que passavam no local, na oportunidade que, inclusive, chamaram a polícia. Não poderia ser diferente, afinal é Porto Alegre, capital... da intolerância.