O PoPa não se cansa de imaginar que o Brasil tem jeito, que os políticos finalmente entenderão seu importante lugar na sociedade e que não roubarão mais, mas se interessarão pelo bem estar da comunidade. O PoPa fica a imaginar que teremos um presidente que tenha o cuidado de se cercar de pessoas íntegras e competentes e cuja principal meta é fazer o desenvolvimento de toda a nação e de sua gente.
O PoPa acredita que este dia poderá chegar, talvez quando tivermos deputados distritais, votos uniformes para todos os brasileiros (uma pessoa, um voto) e, principalmente, vergonha na cara.
Mas o PoPa também acredita que pessoas podem fazer a diferença, desde que conheçam um pouco do que podem fazer. Isso inclui o voto correto, a cobrança devida e a crítica feroz do mau uso da grana pública. Isso só pode vir com educação formal decente, que leve a cidadania para todos os cantos, mesmo que isso signifique reduzir as esmolas públicas, o esvaziamento dos currais eleitorais e, novamente, se tenha vergonha na cara!
Mas não vai ser em 2013...
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
domingo, 16 de dezembro de 2012
O escândalo da semana - Petrobrás levada a queimar um bilhão de dólares!
Mais um "corta e cola" do PoPa. Desta vez, um novo escândalo envolvendo a Petrobrás. Puxa, não se passa semana sem que estoure algum escândalo nesta república...
ESCÂNDALO BILIONÁRIO NA PETROBRAS – Resta, agora, saber se, ao fim da apuração, alguém vai para a cadeia! Ou: Quem privatizou a Petrobras mesmo?
É do balacobaco!
Desde que
Sérgio Gabrielli, o buliçoso ex-presidente da Petrobras, deixou a
empresa, os esqueletos não param de pular do armário. A presidente Dilma
Rousseff o pôs para correr. Ele se alojou na Secretaria de Planejamento
da Bahia e é tido como o provável candidato do PT à sucessão de Jaques
Wagner. Dilma, é verdade, nunca gostou dele, desde quando era ministra. A
questão pessoal importa menos. Depois de ler o que segue, é preciso
responder outra coisa: o que ela pretende fazer com as lambanças
perpetradas na Petrobras na gestão Gabrielli? Uma delas, apenas uma,
abriu um rombo na empresa que passa de UM BILHÃO DE DÓLARES. Conto os
passos da impressionante reportagem de Malu Gaspar na VEJA desta semana.
Prestem atenção!
1: Em janeiro de 2005, a empresa belga Astra Oil comprou uma refinaria americana chamada Pasadena Refining System Inc. por irrisórios US$ 42,5 milhões. Por que tão barata? Porque era considerada ultrapassada e pequena para os padrões americanos.
2:
ATENÇÃO PARA A MÁGICA – No ano seguinte, com aquele mico na mão, os
belgas encontraram pela frente a generosidade brasileira e venderam 50%
das ações para a Petrobras. Sabem por quanto? Por US$ 360 milhões!
Vocês entenderam direitinho: aquilo que os belgas haviam comprado por
US$ 22,5 milhões (a metade da refinaria velha) foi repassado aos
“brasileiros bonzinhos” por US$ 360 milhões. 1500% de valorização em um aninho. A Astra sabia que não é todo dia que se encontram brasileiros tão generosos pela frente e comemorou: “Foi um triunfo financeiro acima de qualquer expectativa razoável”.
3 – Um dado importante: o homem dos belgas que negociou com a Petrobras é Alberto Feilhaber,
um brasileiro. Que bom! Mais do que isso: ele havia sido funcionário da
Petrobras por 20 anos e se transferiu para o escritório da Astra nos
EUA. Quem preparou o papelório para o negócio foi Nestor Cerveró,
à frente da área internacional da Petrobras. Veja viu a documentação.
Fica evidente o objetivo de privilegiar os belgas em detrimento dos
interesses brasileiros. Cerveró é agora diretor financeiro da BR Distribuidora.
Calma! O escândalo mal começou
Se você acha que o que aconteceu até agora já dá cadeia, é porque ainda não sabe do resto.
4 –
A Pasadena Refining System Inc., cuja metade a Petrobras comprou dos
belgas a preço de ouro, vejam vocês!, não tinha capacidade para refinar o
petróleo brasileiro, considerado pesado. Para tanto, seria preciso um
investimento de mais US$ 1,5 bilhão! Belgas e brasileiros dividiriam a conta, a menos que…
5 – … a menos que se desentendessem! Nesse caso, a Petrobras se comprometia a comprar a metade dos belgas — aos quais havia prometido uma remuneração de 6,9% ao ano, mesmo em um cenário de prejuízo!!!
6 –
E não é que o desentendimento aconteceu??? Sem acordo, os belgas
decidiram executar o contrato e pediram pela sua parte, prestem atenção,
outros US$ 700 milhões. Ulalá! Isso foi em 2008.
Lembrem-se que a estrovenga inteira lhes havia custado apenas US$ 45
milhões! Já haviam passado metade do mico adiante por US$ 360 milhões e
pediam mais US$ 700 milhões pela outra. Não é todo dia que aparecem ou
otários ou malandros, certo?
7 – É aí que entra a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff,
então presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Ela acusou o
absurdo da operação e deu uma esculhambada em Gabrielli numa reunião. DEPOIS NUNCA MAIS TOCOU NO ASSUNTO.
8 –
A Petrobras se negou a pagar, e os belgas foram à Justiça americana,
que leva a sério a máxima do “pacta sunt servanda”. Execute-se o
contrato. A Petrobras teve de pagar, sim, em junho deste ano, não mais US$ 700 milhões, mas US$ 839 milhões!!!
9 –
Depois de tomar na cabeça, a Petrobras decidiu se livrar de uma
refinaria velha, que, ademais, não serve para processar o petróleo
brasileiro. Foi ao mercado. Recebeu uma única proposta, da multinacional
americana Valero. O grupo topa pagar pela sucata toda US$ 180 milhões.
10 – Isto mesmo: a Petrobras comprou metade da Pasadena em 2006 por US$ 365 milhões; foi obrigada pela Justiça a ficar com a outra metade por US$ 839 milhões e, agora, se quiser se livrar do prejuízo operacional continuado, terá de se contentar com US$ 180 milhões. Trata-se de um dos milagres da gestão Gabrielli: como transformar US$ 1,199 bilhão em US$ 180 milhões; como reduzir um investimento à sua (quase) sétima parte.
11 – Graça Foster, a atual presidente, não sabe o que fazer. Se realizar o negócio, e só tem uma proposta, terá de incorporar um espeto de mais de US$ 1 bilhão.
12 – Diz o procurador do TCU Marinus Marsico: “Tudo indica que a Petrobras fez concessões atípicas à Astra. Isso aconteceu em pleno ano eleitoral”.
13 – Dilma, reitero, botou Gabrielli pra correr. Mas nunca mais tocou no assunto.
Encerro
Durante a campanha eleitoral de 2010, o então presidente da
Petrobras, José Sérgio Gabrielli, fez propaganda de modo explícito,
despudorado. Chegou a afirmar, o que é mentira descarada, que o
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, durante a sua gestão, tinha
planos de privatizar a Petrobras.
Leram o
que vai acima? Agora respondam: quem privatizou a Petrobras? E noto,
meus caros: empresas privadas não são tratadas desse modo porque seus
donos ou acionistas não permitem. A Petrobras, como fica claro, foi
privatizada, sim, mas por um partido. Por isso, foi tratada como se
fosse terra de ninguém.
Por Reinaldo Azevedo
domingo, 2 de dezembro de 2012
Phishing, alcova, pescarias...
'Pois o PoPa esteve sob ameaça de um phishing. Como são muito poucos os visitantes, ninguém tinha relatado o problema... O velho PoPa teve um bocado de trabalho até identificar a fonte do mal: o link para o site do voto distrital. Pois até isso acontece nesta república!
O PoPa mandou retirar o link e, de quebra, sairam mais alguns já desnecessários pelo tempo transcorrido. Uma lástima que ainda exista gente no mundo disposta a perturbar a vida dos outros!
Enquanto o PoPa brigava para retirar o link de pesca do site, soube que o cara andava pescando fora de sua própria alcova. Não que isso fosse uma grande novidade, já que o cara é conhecido por sua necessidade primária de sexo, como foi constatado pelo "menino do mep"... (este post do Reinaldo Azevedo fala sobre este incidente). Mas a novidade, ainda mais sórdida que os apelos da carne, é que a guria da vez era também uma lobista engajada nas mais altas esferas do poder. E aprontou bastante... A guria presidente mandou ela embora mas fica a pergunta: Por que só agora, quando estourou o escândalo? Ela não sabia?
Agora, para ficar melhor na foto, a guria presidente deve retirar todo o povo que está na cota pessoal do cara e fazer uma limpeza geral. Afinal, mais um escândalo destes e a reeleição vai ficar complicada! O PoPa não é um fã ardoroso da guria presidente, mas prefere ela ao cara!
O PoPa mandou retirar o link e, de quebra, sairam mais alguns já desnecessários pelo tempo transcorrido. Uma lástima que ainda exista gente no mundo disposta a perturbar a vida dos outros!
Enquanto o PoPa brigava para retirar o link de pesca do site, soube que o cara andava pescando fora de sua própria alcova. Não que isso fosse uma grande novidade, já que o cara é conhecido por sua necessidade primária de sexo, como foi constatado pelo "menino do mep"... (este post do Reinaldo Azevedo fala sobre este incidente). Mas a novidade, ainda mais sórdida que os apelos da carne, é que a guria da vez era também uma lobista engajada nas mais altas esferas do poder. E aprontou bastante... A guria presidente mandou ela embora mas fica a pergunta: Por que só agora, quando estourou o escândalo? Ela não sabia?
Agora, para ficar melhor na foto, a guria presidente deve retirar todo o povo que está na cota pessoal do cara e fazer uma limpeza geral. Afinal, mais um escândalo destes e a reeleição vai ficar complicada! O PoPa não é um fã ardoroso da guria presidente, mas prefere ela ao cara!
sábado, 3 de novembro de 2012
Sem medo de mistificar
Hoje o Estadão publicou este editorial. Diz tudo que o PoPa gostaria de escrever neste momento e, portanto, aí vai um corta e cola...
Sem medo de mistificar
É inacreditável a capacidade que o PT tem de mistificar quando a situação lhe é adversa, e de jogar abertamente com dois pesos e duas medidas quando se trata de defender seus próprios interesses. Nos últimos dias, os companheiros de Lula deram pelo menos dois magníficos exemplos de como não se encabulam de subestimar a inteligência do distinto público e fazer pouco do senso comum. O primeiro, ao avaliar o resultado das eleições municipais paulistanas. O segundo, ao afrontar mais uma vez a Suprema Corte a propósito do mensalão.
A executiva estadual do PT, reunida para fazer uma avaliação do pleito, emitiu nota oficial em que afirma: "A sociedade falou em alto e bom tom que o PT não está e nunca esteve no banco dos réus", porque o resultado das urnas "abafou as vozes daqueles que tentaram fazer do julgamento do Supremo Tribunal Federal - STF - (mensalão) um instrumento de desgaste e de destruição da sigla". De fato, a Ação Penal 470 jamais colocou no banco dos réus o PT, mas apenas seus dirigentes máximos, pelo menos do número dois para baixo, durante o primeiro mandato presidencial de Lula. E condenou-os um colegiado constituído, na maior parte, de ministros nomeados por dois presidentes da República petistas. Esses juízes consideraram procedente a peça acusatória apresentada por dois chefes do Ministério Público Federal colocados no cargo por Lula: Antonio Fernando de Souza, que iniciou as investigações, e Roberto Gurgel, que formalizou a denúncia.
Se, como quer o PT, sua vitória em São Paulo significa uma clara manifestação de desaprovação dos paulistanos às condenações do STF e um atestado de inocência conferido aos acusados petistas, isso quer dizer também, contrario sensu, que as derrotas do PT em Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, Manaus, Belém, Campinas e outras centenas de municípios significam apoio às decisões da Suprema Corte. Por esse critério, as coisas vão muito mal para o PT, que afinal venceu as eleições com candidato próprio em apenas 635 cidades, que equivalem a uma população de 58 milhões dos 190 milhões de brasileiros. Fica combinado, então, que mais de 130 milhões de brasileiros condenam José Dirceu & Cia.
Por outro lado, o presidente nacional do PT, o iracundo Rui Falcão, anunciou que o partido divulgaria um manifesto contendo críticas ao que classifica de "politização" do julgamento do mensalão pelo Supremo, que, pressionado pela mídia "de direita", estaria ameaçando as liberdades individuais consagradas pela lei penal e pela Constituição. Os petistas estavam esperando apenas a realização do segundo turno do pleito municipal para saírem em defesa de seus dirigentes condenados por corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e outros delitos. E Falcão deixou claro, ao arrepio do Estatuto do PT, que os apenados não serão expulsos. Afinal, os petistas consideram Dirceu, Genoino, Delúbio e João Paulo Cunha "prisioneiros políticos" julgados por um "tribunal de exceção" - todos eles cidadãos que têm "serviços prestados ao País".
Na verdade, é o PT quem está politizando o debate sobre o mensalão. Insistem os seguidores de Lula que os ministros da Suprema Corte estão julgando sob pressão da mídia e de uma opinião pública por ela manipulada. É quase um insulto à biografia dos ministros, a maioria dos quais passou pelo crivo do comando petista no processo de escolha para compor o STF. Além disso, o argumento tropeça em outra incongruência. Se a opinião pública está pressionando a favor da condenação do mensalão, por que teria colocado nas urnas, "em alto e bom tom", um voto de absolvição dos mensaleiros?
Persistindo nas incongruências, afirmam os petistas que o mensalão é "uma farsa", ou seja, nunca existiu, mas asseguram que foi inventado, em Minas Gerais, em 1998, pelo mesmíssimo Marcos Valério, a serviço da campanha de reeleição do tucano Eduardo Azeredo. Esse escândalo já foi denunciado ao STF pelo Ministério Público e está entregue à relatoria do ministro Joaquim Barbosa. Só falta o PT - para manter-se coerente com sua incoerência - sair também em defesa dos mensaleiros tucanos, acusados das mesmas práticas criminosas que estão levando a cúpula petista à cadeia.
o original: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sem-medo-de-mistificar-,955001,0.htm
Sem medo de mistificar
É inacreditável a capacidade que o PT tem de mistificar quando a situação lhe é adversa, e de jogar abertamente com dois pesos e duas medidas quando se trata de defender seus próprios interesses. Nos últimos dias, os companheiros de Lula deram pelo menos dois magníficos exemplos de como não se encabulam de subestimar a inteligência do distinto público e fazer pouco do senso comum. O primeiro, ao avaliar o resultado das eleições municipais paulistanas. O segundo, ao afrontar mais uma vez a Suprema Corte a propósito do mensalão.
A executiva estadual do PT, reunida para fazer uma avaliação do pleito, emitiu nota oficial em que afirma: "A sociedade falou em alto e bom tom que o PT não está e nunca esteve no banco dos réus", porque o resultado das urnas "abafou as vozes daqueles que tentaram fazer do julgamento do Supremo Tribunal Federal - STF - (mensalão) um instrumento de desgaste e de destruição da sigla". De fato, a Ação Penal 470 jamais colocou no banco dos réus o PT, mas apenas seus dirigentes máximos, pelo menos do número dois para baixo, durante o primeiro mandato presidencial de Lula. E condenou-os um colegiado constituído, na maior parte, de ministros nomeados por dois presidentes da República petistas. Esses juízes consideraram procedente a peça acusatória apresentada por dois chefes do Ministério Público Federal colocados no cargo por Lula: Antonio Fernando de Souza, que iniciou as investigações, e Roberto Gurgel, que formalizou a denúncia.
Se, como quer o PT, sua vitória em São Paulo significa uma clara manifestação de desaprovação dos paulistanos às condenações do STF e um atestado de inocência conferido aos acusados petistas, isso quer dizer também, contrario sensu, que as derrotas do PT em Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, Manaus, Belém, Campinas e outras centenas de municípios significam apoio às decisões da Suprema Corte. Por esse critério, as coisas vão muito mal para o PT, que afinal venceu as eleições com candidato próprio em apenas 635 cidades, que equivalem a uma população de 58 milhões dos 190 milhões de brasileiros. Fica combinado, então, que mais de 130 milhões de brasileiros condenam José Dirceu & Cia.
Por outro lado, o presidente nacional do PT, o iracundo Rui Falcão, anunciou que o partido divulgaria um manifesto contendo críticas ao que classifica de "politização" do julgamento do mensalão pelo Supremo, que, pressionado pela mídia "de direita", estaria ameaçando as liberdades individuais consagradas pela lei penal e pela Constituição. Os petistas estavam esperando apenas a realização do segundo turno do pleito municipal para saírem em defesa de seus dirigentes condenados por corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e outros delitos. E Falcão deixou claro, ao arrepio do Estatuto do PT, que os apenados não serão expulsos. Afinal, os petistas consideram Dirceu, Genoino, Delúbio e João Paulo Cunha "prisioneiros políticos" julgados por um "tribunal de exceção" - todos eles cidadãos que têm "serviços prestados ao País".
Na verdade, é o PT quem está politizando o debate sobre o mensalão. Insistem os seguidores de Lula que os ministros da Suprema Corte estão julgando sob pressão da mídia e de uma opinião pública por ela manipulada. É quase um insulto à biografia dos ministros, a maioria dos quais passou pelo crivo do comando petista no processo de escolha para compor o STF. Além disso, o argumento tropeça em outra incongruência. Se a opinião pública está pressionando a favor da condenação do mensalão, por que teria colocado nas urnas, "em alto e bom tom", um voto de absolvição dos mensaleiros?
Persistindo nas incongruências, afirmam os petistas que o mensalão é "uma farsa", ou seja, nunca existiu, mas asseguram que foi inventado, em Minas Gerais, em 1998, pelo mesmíssimo Marcos Valério, a serviço da campanha de reeleição do tucano Eduardo Azeredo. Esse escândalo já foi denunciado ao STF pelo Ministério Público e está entregue à relatoria do ministro Joaquim Barbosa. Só falta o PT - para manter-se coerente com sua incoerência - sair também em defesa dos mensaleiros tucanos, acusados das mesmas práticas criminosas que estão levando a cúpula petista à cadeia.
o original: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sem-medo-de-mistificar-,955001,0.htm
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Piada de salão
O PoPa anda um pouco desanimado com a política nacional. Por isso não dita mais seus próprios textos. Mas, de vez em quando, depara com um texto muito bom que gostaria de repartir com seus dez fiéis leitores. Vamos a mais um deles, de Ferreira Gullar.
Ferreira Gullar - Folha de São Paulo Ilustrada
Quando o escândalo do mensalão abalou a vida política do país e, particularmente, o governo Lula e seu partido, alguns dos petistas mais ingênuos choraram em plena Câmara dos Deputados, desapontados com o que era, para eles, uma traição. Lula, assustado, declarou que havia sido traído, mas logo acertou, com seus comparsas, um modo de safar-se do desastre.
Escolheram o pobre do Delúbio Soares para assumir sozinho a culpa da falcatrua. Para convencê-lo, creio eu, asseguraram-lhe que nada lhe aconteceria, porque o Supremo estava nas mãos deles. Delúbio acreditou nisso a tal ponto que chegou a dizer, na ocasião, que o mensalão em breve se tornaria piada de salão.
Certo disso, assumiu a responsabilidade por toda a tramoia, que envolveu muitos milhões de reais na compra de deputados dos partidos que constituíam a base parlamentar do governo.
Embora fosse ele apenas um tesoureiro, afirmou que sozinho articulara os empréstimos fajutos, numa operação que envolvia do Banco do Brasil (Visanet), o Banco Rural e o Banco de Minas Gerais, e sem nada dizer a ninguém: não disse a Lula, com que privava nos churrascos dominicais, não disse a Genoino, presidente do PT, nem a José Dirceu, o ministro político do governo.
Era ele, como se vê, um tesoureiro e tanto, como jamais houve igual. Claro, tudo mentira, mas estava convencido da impunidade. A esta altura, condenado pelo STF, deve maldizer a esperteza de seus comparsas. Mas os comparsas, por sua vez, devem amaldiçoar o único que, pelo menos até agora, escapou ileso do desastre -o Lula.
Pois bem, como o tiro saiu pela culatra e o partido da ética na política consagrou-se como um exemplo de corrupção, Lula e sua turma já começaram a inventar uma versão que, se não os limpará de todo, pelo menos vai lhes permitir continuar mentindo com arrogância. O truque é velho, mas é o único que resta em situações semelhantes: posar de vítima.
E se o cara se faz de vítima, tem o direito de se indignar, já que foi injustiçado. Por isso mesmo, vimos José Genoino vir a público denunciar a punição que sofreu, muito embora tenha sido condenado por nove dos dez ministros do STF, quase por unanimidade.
A única hipótese seria, neste caso, que se trata de um complô dos ministros contra os petistas. Mas mesmo essa não se sustenta, uma vez que dos dez membros do Supremo, oito foram nomeados por Lula e Dilma.
Reação como a de Genoino era de se esperar, mesmo porque, alguns dias antes, a direção do PT publicara aquele lamentável manifesto em que afirmava ser o processo do mensalão um golpe semelhante aos que derrubaram Getúlio Vargas e João Goulart. Também a nota posterior à condenação de José Dirceu repete a mesma versão, segundo a qual os mensaleiros estão sendo condenados porque lutam por um Brasil mais justo. O STF, como se sabe, é contra isso.
Não por acaso, Lula -que reside num apartamento duplex de cobertura e veste ternos Armani- voltou a usar o mesmo vocabulário dos velhos tempos: "A burguesia não pode voltar ao poder". Sim, não pode, porque agora quem nos governa é a classe operária, aquela que já chegou ao paraíso.
Não tenho nenhum prazer em assistir a esse espetáculo degradante, quando políticos de prestígio popular, que durante algum tempo encarnaram a defesa da democracia e da justiça social em nosso país, são condenados por graves atentados à ética e aos interesses da nação. As condenações ocorreram porque não havia como o STF furtar-se às evidências: dinheiro público foi entregue ao PT, mediante empréstimos fictícios, que tornaram possível a compra de deputados para votarem com o governo. Tudo conforme a ética petista, antiburguesa.
Mas não tenhamos ilusões. Apesar de todo esse escândalo, apesar das condenações pela mais alta corte de Justiça, o PT cresceu nas últimas eleições. Tem agora mais prefeituras do que antes e talvez ganhe a de São Paulo. Nisso certamente influiu sua capacidade de mascarar a verdade, mas não só. Com a mesma falta de escrúpulos, tendo o poder nas mãos, manipula igualmente as carências dos mais necessitados e dos ressentidos.
Não vai ser fácil acharmos o rumo certo. Texto original aqui: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/73079-piada-de-salao.shtml
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Somos mais realistas que o rei?
Em suas leituras matinais, o PoPa ficou sabendo que a tentativa de um deputado estadual em libarar alguns agrotóxicos para venda no Estado tinha pifado. Tudo porque as tais redes sociais fizeram um barulhão e própria RBS andou fazendo uma campanhazinha. Muito bem, se existem produtos que fazem mal à saúde, que sejam proibidos, mesmo!
Mas, é o que acontece, realmente? Vamos ver... o Brasil não é uma federação de verdade, com seus estados legislando separadamente. Proibem a venda de alguns produtos por aqui. Certo. Mas estes produtos são utilizados em outros estados, inclusive aqui do lado, em Santa Catarina. E, claro, o que eles produzem vem para cá... Estamos falando de rações animais, óleos vegetais, legumes, leite e derivados, patês e a conta é grande. Nossa legislação estadual não pode interferir no que eles produzem e não pode proibir que sejam comercializados aqui.
Quem ganha e quem perde em uma situação como esta? Os consumidores brasileiros - gaúchos inclusive - seguem comendo os produtos que nós, gaúchos, entendemos que não podem ser utilizados na produção. Ou seja, não usamos, mas comemos!
Como é bom ser o joãozinho do passo certo!
Mas, é o que acontece, realmente? Vamos ver... o Brasil não é uma federação de verdade, com seus estados legislando separadamente. Proibem a venda de alguns produtos por aqui. Certo. Mas estes produtos são utilizados em outros estados, inclusive aqui do lado, em Santa Catarina. E, claro, o que eles produzem vem para cá... Estamos falando de rações animais, óleos vegetais, legumes, leite e derivados, patês e a conta é grande. Nossa legislação estadual não pode interferir no que eles produzem e não pode proibir que sejam comercializados aqui.
Quem ganha e quem perde em uma situação como esta? Os consumidores brasileiros - gaúchos inclusive - seguem comendo os produtos que nós, gaúchos, entendemos que não podem ser utilizados na produção. Ou seja, não usamos, mas comemos!
Como é bom ser o joãozinho do passo certo!
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Eleições em Pelotas
Por provocação do Maia, o PoPa tentou colocar idéia dele sobre o que rola na eleição pelotense.
Em primeiro lugar, os vereadores. Pressentindo quea mamata o importante serviço público oferecido por eles poderia acabar, os atuais edis resolveram aumentar as vagas de 15 para 21. E isso sem consultar ninguém, além dos cupinchas colegas partidários. Assim, claro, as chances de continuar por lá, mamando trabalhando, são maiores. E o presidente da casa da mãe joana do povo ainda teve a cara de pau de ir para a imprensa e dizer que isso não aumentaria os gastos de manutenção da dita casa!!!! Analisando friamente os atuais candidatos, o PoPa resolveu que não vai votar em nenhum deles. Afinal, o menos ruim, na opinião do PoPa, é ruim demais. E tem aqueles candidatos: a empreguete, a santinha, o fonfon, o banha...
Mas... e os prefeituráveis? Temos, novamente, o deputado Marroni querendo retornar à prefeitura. Se é para fazer o que fez quando aqui esteve, o problema é sério! Mas e os outros? O PoPa resolveu ler as propostas enviadas à justiça eleitoral (isso tem valor para ser cobrado depois?)
Marroni tem algumas preciosidades no seu projeto de governo. Na parte de meio ambiente, por exemplo, começa assim: A implementação do projeto neoliberal aprofundou os problemas ambientais no planeta. É mesmo? Isso quer dizer que o meio ambiente na China está perfeito, já que lá não existe um projeto "neoliberal"? A neosocialista Venezuela está com todos os seus problemas resolvidos nesta área, ou aumentaram com o socialismo bolivariano? O PoPa lembra de um caso, durante o governo Marroni, onde um condomínio de terrenos foi transformado em loteamento pois um secretário dele afirmava que se tratava de uma ação excludente, um gueto da "classe média". Aliás, recomendo a leitura do documento por eleitores potenciais de Marroni, pois estão colocadas todas as suas idéias ali. Com o uso excessivo das palavras "cidadã" e "transversalidade".
Eduardo Leite parece ser o menos ruim, mas não sabemos o que poderia fazer com um partido fraco na cidade, que é o psdb. Seu programa é muito enxuto, pequeno demais para ser avaliado. É um dos candidatos da base de apoio do Fetter (atual prefeito, que não deixou se criar nenhuma liderança no próprio partido, o pp, que vai ter candidato...)
Catarina Paladini do psb. O PoPa conhece pessoalmente o guri e sabe que tem boa intenção. Resta saber se vai ter gente à altura para tocar uma prefeitura como a de Pelotas. O programa dele é o mais bem elaborado, técnico e sem firulas. Se a leitura fosse motivo de decisão, seria o candidato do PoPa.
Jurandir Silva do psol, é agrônomo como o PoPa. Seu programa de governo faz uma excelente análise da situação atual da economia pelotense. Mas sua solução é aterradora: Nossa proposta é integrar indústria, comércio, serviços e agricultura em uma nova perspectiva, sob controle da população, fomentando a economia solidária, as cooperativas de trabalhadores, os investimentos públicos para geração de emprego e distribuição de renda.
Matteo Chiarelli do Dem, apresentou o programa mais sintético que o PoPa já viu até hoje. Em cinco itens, com não mais de 11 linhas no total, o candidato coloca suas idéias apenas superficialmente, usando os termos "comprometer-se", "aprimorar", "contribuir"... Fala sério! Este candidato também é da base de apoio do Fetter.
Cinco candidatos, no máximo duas opções "menos piores". O PoPa ficaria entre Catarina e Eduardo, mas não está disposto a apostar nisso no primeiro turno. No segundo, dependendo de quem estiver por lá, talvez o PoPa vote, afinal.
Em primeiro lugar, os vereadores. Pressentindo que
Mas... e os prefeituráveis? Temos, novamente, o deputado Marroni querendo retornar à prefeitura. Se é para fazer o que fez quando aqui esteve, o problema é sério! Mas e os outros? O PoPa resolveu ler as propostas enviadas à justiça eleitoral (isso tem valor para ser cobrado depois?)
Marroni tem algumas preciosidades no seu projeto de governo. Na parte de meio ambiente, por exemplo, começa assim: A implementação do projeto neoliberal aprofundou os problemas ambientais no planeta. É mesmo? Isso quer dizer que o meio ambiente na China está perfeito, já que lá não existe um projeto "neoliberal"? A neosocialista Venezuela está com todos os seus problemas resolvidos nesta área, ou aumentaram com o socialismo bolivariano? O PoPa lembra de um caso, durante o governo Marroni, onde um condomínio de terrenos foi transformado em loteamento pois um secretário dele afirmava que se tratava de uma ação excludente, um gueto da "classe média". Aliás, recomendo a leitura do documento por eleitores potenciais de Marroni, pois estão colocadas todas as suas idéias ali. Com o uso excessivo das palavras "cidadã" e "transversalidade".
Eduardo Leite parece ser o menos ruim, mas não sabemos o que poderia fazer com um partido fraco na cidade, que é o psdb. Seu programa é muito enxuto, pequeno demais para ser avaliado. É um dos candidatos da base de apoio do Fetter (atual prefeito, que não deixou se criar nenhuma liderança no próprio partido, o pp, que vai ter candidato...)
Catarina Paladini do psb. O PoPa conhece pessoalmente o guri e sabe que tem boa intenção. Resta saber se vai ter gente à altura para tocar uma prefeitura como a de Pelotas. O programa dele é o mais bem elaborado, técnico e sem firulas. Se a leitura fosse motivo de decisão, seria o candidato do PoPa.
Jurandir Silva do psol, é agrônomo como o PoPa. Seu programa de governo faz uma excelente análise da situação atual da economia pelotense. Mas sua solução é aterradora: Nossa proposta é integrar indústria, comércio, serviços e agricultura em uma nova perspectiva, sob controle da população, fomentando a economia solidária, as cooperativas de trabalhadores, os investimentos públicos para geração de emprego e distribuição de renda.
Matteo Chiarelli do Dem, apresentou o programa mais sintético que o PoPa já viu até hoje. Em cinco itens, com não mais de 11 linhas no total, o candidato coloca suas idéias apenas superficialmente, usando os termos "comprometer-se", "aprimorar", "contribuir"... Fala sério! Este candidato também é da base de apoio do Fetter.
Cinco candidatos, no máximo duas opções "menos piores". O PoPa ficaria entre Catarina e Eduardo, mas não está disposto a apostar nisso no primeiro turno. No segundo, dependendo de quem estiver por lá, talvez o PoPa vote, afinal.
domingo, 23 de setembro de 2012
Na base do desespero
texto de opinião do Estadão, no dia de hoje.
Lula sente-se ameaçado. De fato, está. Seu governo corre o risco de receber diploma de improbidade com o julgamento da Ação Penal 470 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). E seu partido pode levar uma surra histórica nas urnas de 7 de outubro - como mostra o último Datafolha. São as razões do desespero que levou o ex-presidente a pedir socorro a alguns dos partidos da base do governo, constrangendo-os a subscrever uma nota dirigida "à sociedade brasileira" na qual se tenta colocar o chefão do PT a salvo das suspeitas a respeito de seu verdadeiro papel no escândalo do mensalão.
Como não pegaria bem atacar diretamente o STF injusto ou o eleitorado ingrato, a nota volta-se contra os partidos da oposição, que tiveram a ousadia de sugerir ampla investigação sobre quem esteve de fato por detrás da trama criminosa do mensalão, conforme informações atribuídas ao publicitário Marcos Valério pela revista Veja.
A propósito dessa suspeita natural que a oposição não teve interesse ou coragem de levantar em 2004, o comportamento do ex-presidente no episódio merece, de fato, algum "refresco de memória". Quando o escândalo estourou, Lula declarou que se sentia traído e que o PT devia pedir desculpas ao País; depois, em entrevista à televisão em Paris, garantiu, cinicamente, que seu partido havia feito apenas o que todos fazem - caixa 2; finalmente, já ungido pelas urnas, em 2006, lançou a tese que até hoje sustenta: tudo não passou de uma "farsa" urdida pelas "elites" para "barrar e reverter o processo de mudanças" por ele iniciado, como afirma a nota.
Por ordem do chefão essa manifestação de desagravo a si próprio foi apresentada pelo presidente do PT, o iracundo Rui Falcão, a um grupo selecionado de aliados. Da chamada base de apoio ficaram de fora o PP de Valdemar Costa Neto e o PTB de Roberto Jefferson, ambos sendo julgados pelo STF. O documento leva a assinatura dos presidentes do PT e de cinco outras legendas: PSB, PMDB, PC do B, PDT e PRB. Seus termos obedecem ao mais rigoroso figurino da hipocrisia política. Iniciam por repudiar a nota em que PSDB, DEM e PPS, "forças conservadoras", "tentaram comprometer a honra e a dignidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva". E a classificam como "fruto do desespero diante das derrotas seguidamente infligidas a eles pelo eleitorado brasileiro".
Para PT e aliados, numa velada referência ao processo do mensalão, as oposições "tentam fazer política à margem do processo eleitoral, base e fundamento da democracia representativa, que não hesitam em golpear sempre que seus interesses são contrariados". Nenhuma referência, é claro, ao fato de que, no momento, os interesses que estão sendo contrariados são exatamente os de Lula e do PT. Mas, em matéria de fazer o jogo de espelho, acusando os adversários exatamente daquilo que ele próprio faz, o lulopetismo superou-se em alusão explícita ao julgamento do mensalão: "Os partidos da oposição tentam apenas confundir a opinião pública. Quando pressionam o STF, estão preocupados em fazer da Ação Penal 470 um julgamento político, para golpear a democracia e reverter as conquistas que marcaram a gestão do presidente Lula".
Nos últimos dias, os sintomas de desespero nas hostes lulopetistas traduziram-se em despautérios de importantes personalidades do partido. O presidente da Câmara dos Deputados acusou o ministro Joaquim Barbosa de ser falacioso ao denunciar a compra de apoio parlamentar pela quadrilha que, segundo a denúncia da Ação Penal 470, era chefiada por José Dirceu. O senador Jorge Viana (PT-AC), ex-governador do Acre, ele próprio investigado pela suspeita de compra de votos, voltou ao tema do "golpe contra o PT". E o deputado federal André Vargas (PT-PR), chefe da equipe nacional de Comunicação do partido, revelou sua peculiar concepção de transparência da vida pública ao condenar a transmissão ao vivo das sessões plenárias do STF como "uma ameaça à democracia". São esses os combatentes da "batalha do tamanho do Brasil" convocada pelo desespero de Lula&Cia. Convocação atendida também pelo cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, em esfuziante entrevista no jornal Valor de sexta-feira.
Lula sente-se ameaçado. De fato, está. Seu governo corre o risco de receber diploma de improbidade com o julgamento da Ação Penal 470 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). E seu partido pode levar uma surra histórica nas urnas de 7 de outubro - como mostra o último Datafolha. São as razões do desespero que levou o ex-presidente a pedir socorro a alguns dos partidos da base do governo, constrangendo-os a subscrever uma nota dirigida "à sociedade brasileira" na qual se tenta colocar o chefão do PT a salvo das suspeitas a respeito de seu verdadeiro papel no escândalo do mensalão.
Como não pegaria bem atacar diretamente o STF injusto ou o eleitorado ingrato, a nota volta-se contra os partidos da oposição, que tiveram a ousadia de sugerir ampla investigação sobre quem esteve de fato por detrás da trama criminosa do mensalão, conforme informações atribuídas ao publicitário Marcos Valério pela revista Veja.
A propósito dessa suspeita natural que a oposição não teve interesse ou coragem de levantar em 2004, o comportamento do ex-presidente no episódio merece, de fato, algum "refresco de memória". Quando o escândalo estourou, Lula declarou que se sentia traído e que o PT devia pedir desculpas ao País; depois, em entrevista à televisão em Paris, garantiu, cinicamente, que seu partido havia feito apenas o que todos fazem - caixa 2; finalmente, já ungido pelas urnas, em 2006, lançou a tese que até hoje sustenta: tudo não passou de uma "farsa" urdida pelas "elites" para "barrar e reverter o processo de mudanças" por ele iniciado, como afirma a nota.
Por ordem do chefão essa manifestação de desagravo a si próprio foi apresentada pelo presidente do PT, o iracundo Rui Falcão, a um grupo selecionado de aliados. Da chamada base de apoio ficaram de fora o PP de Valdemar Costa Neto e o PTB de Roberto Jefferson, ambos sendo julgados pelo STF. O documento leva a assinatura dos presidentes do PT e de cinco outras legendas: PSB, PMDB, PC do B, PDT e PRB. Seus termos obedecem ao mais rigoroso figurino da hipocrisia política. Iniciam por repudiar a nota em que PSDB, DEM e PPS, "forças conservadoras", "tentaram comprometer a honra e a dignidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva". E a classificam como "fruto do desespero diante das derrotas seguidamente infligidas a eles pelo eleitorado brasileiro".
Para PT e aliados, numa velada referência ao processo do mensalão, as oposições "tentam fazer política à margem do processo eleitoral, base e fundamento da democracia representativa, que não hesitam em golpear sempre que seus interesses são contrariados". Nenhuma referência, é claro, ao fato de que, no momento, os interesses que estão sendo contrariados são exatamente os de Lula e do PT. Mas, em matéria de fazer o jogo de espelho, acusando os adversários exatamente daquilo que ele próprio faz, o lulopetismo superou-se em alusão explícita ao julgamento do mensalão: "Os partidos da oposição tentam apenas confundir a opinião pública. Quando pressionam o STF, estão preocupados em fazer da Ação Penal 470 um julgamento político, para golpear a democracia e reverter as conquistas que marcaram a gestão do presidente Lula".
Nos últimos dias, os sintomas de desespero nas hostes lulopetistas traduziram-se em despautérios de importantes personalidades do partido. O presidente da Câmara dos Deputados acusou o ministro Joaquim Barbosa de ser falacioso ao denunciar a compra de apoio parlamentar pela quadrilha que, segundo a denúncia da Ação Penal 470, era chefiada por José Dirceu. O senador Jorge Viana (PT-AC), ex-governador do Acre, ele próprio investigado pela suspeita de compra de votos, voltou ao tema do "golpe contra o PT". E o deputado federal André Vargas (PT-PR), chefe da equipe nacional de Comunicação do partido, revelou sua peculiar concepção de transparência da vida pública ao condenar a transmissão ao vivo das sessões plenárias do STF como "uma ameaça à democracia". São esses os combatentes da "batalha do tamanho do Brasil" convocada pelo desespero de Lula&Cia. Convocação atendida também pelo cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, em esfuziante entrevista no jornal Valor de sexta-feira.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
O Custo da Pena - Osmar Terra*
Defensores da legalização do uso das drogas alegam que muitos presos como traficantes são, na verdade, pequenos traficantes que vendem drogas para manter o próprio consumo. São vítimas mais que vilões. Argumentam que, ao irem presos, cumprem penas em prisões superlotadas e inadequadas e se transformam em delinquentes perigosos. Acrescentam um refrão: o custo de um pequeno traficante na prisão é alto, e seria mais producente e efetivo ser tratado como consumidor, antes de traficante, sem a pena de prisão. Ora, esses argumentos são superficiais e ignoram questões cruciais do enfrentamento às drogas:
1) a epidemia das drogas, em particular a do crack, obedece a mesma lógica da epidemia viral. Quanto mais vírus circulando no ambiente, mais gente ficará doente. Na das drogas, quanto mais gente traficando, mais droga circulando, mais doentes crônicos da dependência química.
2) o tráfico de drogas, como o crack, é feito basicamente por pequenos traficantes, dependentes ou não de drogas. São eles que traficam mais de 90% do crack no Brasil.
3) drogas como o crack causam dependência química quase instantânea em seus usuários. Com extraordinária rapidez, viram doentes crônicos, sem cura, para o resto de suas vidas. Basta experimentar duas ou três vezes, e o dano se instala.
4) a atuação do pequeno traficante atrai e abastece ao redor de 30 a 50 usuários de crack, que, se não houvesse essa oferta, provavelmente não ficariam dependentes.
5) um pequeno traficante preso custará aos cofres públicos cerca de R$ 100 mil em cinco anos e não vitimará ninguém fora da prisão.
6) solto, levará, nos mesmos cinco anos, mais de 200 jovens à dependência química definitiva, cujo tratamento custará, no total, perto de R$ 8 milhões, só nos primeiros cinco anos. Sem falar nas recaídas.
Estou me referindo exclusivamente a tratamento pelo SUS, pago pelo contribuinte. Infelizmente, a lógica é de que até para o bolso do contribuinte e para a saúde pública é muito melhor o traficante, grande ou pequeno, usuário ou não de drogas, ficar fora de circulação, e com isso evitar que mais e mais jovens brasileiros adoeçam para lhes dar ganho econômico. A conta é simples: um pequeno traficante preso custa 80 vezes menos para os cofres públicos que solto. Sem falar da destruição da saúde dos dependentes, de suas famílias e das vidas que a sua liberdade causa.
Quanto às condições das prisões, é outro assunto que deve ser resolvido com urgência pelo governo, também. Mas não podemos justificar um erro com outro. Não podemos fazer o discurso conformista para com uma política errada (de não investir em presídios) para justificar outra, que é a de manter livres os multiplicadores da epidemia das drogas.
* Deputado Federal e ex-secretário da Saúde do Rio Grande do Sul.
1) a epidemia das drogas, em particular a do crack, obedece a mesma lógica da epidemia viral. Quanto mais vírus circulando no ambiente, mais gente ficará doente. Na das drogas, quanto mais gente traficando, mais droga circulando, mais doentes crônicos da dependência química.
2) o tráfico de drogas, como o crack, é feito basicamente por pequenos traficantes, dependentes ou não de drogas. São eles que traficam mais de 90% do crack no Brasil.
3) drogas como o crack causam dependência química quase instantânea em seus usuários. Com extraordinária rapidez, viram doentes crônicos, sem cura, para o resto de suas vidas. Basta experimentar duas ou três vezes, e o dano se instala.
4) a atuação do pequeno traficante atrai e abastece ao redor de 30 a 50 usuários de crack, que, se não houvesse essa oferta, provavelmente não ficariam dependentes.
5) um pequeno traficante preso custará aos cofres públicos cerca de R$ 100 mil em cinco anos e não vitimará ninguém fora da prisão.
6) solto, levará, nos mesmos cinco anos, mais de 200 jovens à dependência química definitiva, cujo tratamento custará, no total, perto de R$ 8 milhões, só nos primeiros cinco anos. Sem falar nas recaídas.
Estou me referindo exclusivamente a tratamento pelo SUS, pago pelo contribuinte. Infelizmente, a lógica é de que até para o bolso do contribuinte e para a saúde pública é muito melhor o traficante, grande ou pequeno, usuário ou não de drogas, ficar fora de circulação, e com isso evitar que mais e mais jovens brasileiros adoeçam para lhes dar ganho econômico. A conta é simples: um pequeno traficante preso custa 80 vezes menos para os cofres públicos que solto. Sem falar da destruição da saúde dos dependentes, de suas famílias e das vidas que a sua liberdade causa.
Quanto às condições das prisões, é outro assunto que deve ser resolvido com urgência pelo governo, também. Mas não podemos justificar um erro com outro. Não podemos fazer o discurso conformista para com uma política errada (de não investir em presídios) para justificar outra, que é a de manter livres os multiplicadores da epidemia das drogas.
* Deputado Federal e ex-secretário da Saúde do Rio Grande do Sul.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Pelotas 200 anos. Pobre Princesa!
Pois muitos tentam explicar as dificuldades encontradas por Pelotas e região nas últimas décadas. De uma cidade que era exemplo para todo o Estado e até para o País, Pelotas desandou em todas os aspectos. Passou de uma das mais importantes cidades em termos econômicos, para a 17ª posição em arrecadação de tributos estaduais, o que representa sua incapacidade de gerar riquezas.
Uma cidade onde a comunidade uniu-se para fazer uma biblioteca, onde famílias doavam patrimônios expressivos para fazer escolas, igrejas e clubes. Uma cidade com uma arquitetura bela e característica. Uma cidade onde a riqueza era, de certa maneira, redistribuída pelos mais ricos.
Hoje vemos uma cidade onde os comerciantes do centro não tem capacidade sequer de varrer a frente de suas lojas, que dirá fazer alguma melhoria no seu entorno. E temos camelôs invadindo espaços nobres, trailers fixados em pontos estratégicos, lançando esgoto cloacal nas linhas pluviais.
Hoje vemos uma cidade onde os moradores deixam crescer capim na frente de suas casas, esperando que a prefeitura passe por lá com uma equipe para retirá-lo. O PoPa lembra-se da sua mãe varrendo a frente da casa diariamente, o mesmo sendo feito pelos vizinhos.
Hoje vemos uma cidade sem árvores, onde o poder público ainda retira as poucas que existem, sem uma explicação razoável. É o caso das árvores da Fernando Osório, do plátano ao lado do Guarani e tantas outras.
Hoje vemos uma cidade que chega aos 200 anos suja, feia e com uma pálida idéia do que foi no passado. Pior, vemos que a expressão máxima das comemorações deste bicentenário, foi a travessia do Arroio Pelotas por uma "pelota". Seria interessante, não fosse o fato de que a tal "pelota" foi fabricada em Gramado! Hoje temos uma cidade repleta de cursos universitários e técnicos, que não tem a capacidade de fazer um barquinho com pedaços de pau e couro mal curtido!
Pelotas está em crise! Muito mais que crise econômica, temos uma crise de caráter, uma crise de criatividade, uma crise de fundamentos cívicos, urbanos, políticos e tudo mais que queiram. Olhando a listagem dos candidatos a prefeito, o PoPa não vê um futuro muito diferente para os próximos anos. A listagem dos vereadores não é muito convidativa, também...
Uma cidade onde a comunidade uniu-se para fazer uma biblioteca, onde famílias doavam patrimônios expressivos para fazer escolas, igrejas e clubes. Uma cidade com uma arquitetura bela e característica. Uma cidade onde a riqueza era, de certa maneira, redistribuída pelos mais ricos.
Hoje vemos uma cidade onde os comerciantes do centro não tem capacidade sequer de varrer a frente de suas lojas, que dirá fazer alguma melhoria no seu entorno. E temos camelôs invadindo espaços nobres, trailers fixados em pontos estratégicos, lançando esgoto cloacal nas linhas pluviais.
Hoje vemos uma cidade onde os moradores deixam crescer capim na frente de suas casas, esperando que a prefeitura passe por lá com uma equipe para retirá-lo. O PoPa lembra-se da sua mãe varrendo a frente da casa diariamente, o mesmo sendo feito pelos vizinhos.
Hoje vemos uma cidade sem árvores, onde o poder público ainda retira as poucas que existem, sem uma explicação razoável. É o caso das árvores da Fernando Osório, do plátano ao lado do Guarani e tantas outras.
Hoje vemos uma cidade que chega aos 200 anos suja, feia e com uma pálida idéia do que foi no passado. Pior, vemos que a expressão máxima das comemorações deste bicentenário, foi a travessia do Arroio Pelotas por uma "pelota". Seria interessante, não fosse o fato de que a tal "pelota" foi fabricada em Gramado! Hoje temos uma cidade repleta de cursos universitários e técnicos, que não tem a capacidade de fazer um barquinho com pedaços de pau e couro mal curtido!
Pelotas está em crise! Muito mais que crise econômica, temos uma crise de caráter, uma crise de criatividade, uma crise de fundamentos cívicos, urbanos, políticos e tudo mais que queiram. Olhando a listagem dos candidatos a prefeito, o PoPa não vê um futuro muito diferente para os próximos anos. A listagem dos vereadores não é muito convidativa, também...
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