segunda-feira, 16 de julho de 2007

Carne de Cordeiro

A carne de cordeiro é uma das melhores opções dos pequenos e médios produtores rurais da Metade Sul do RS. Há uma tradição na produção de ovinos, mas também há a necessidade de uma verdadeira revolução nos meios de produção ou, como diriam alguns economistas, uma quebra de paradigma. O Pobre Pampa sempre detestou estas expressões que pretendem enrolar o leitor, como se o escritor tivesse uma dimensão maior do que realmente tem.

Mas, voltando ao cordeiro, apesar de termos tradição na ovinocultura, não temos esta mesma tradição na produção de cordeiros. É contraditório? Aparentemente, sim. Mas apenas aparentemente. Em um próximo post, vamos tentar esclarecer melhor esta situação. Por enquanto, fiquem com esta belíssima receita.

Ingredientes:

1 paleta (perna dianteira) de cordeiro pesando cerca de 1kg
1 colher de chá de cheiro verde picado
1 dente de alho descascado e picado
1 colher de café de pimentinha vermelha
1 cebola média descascada e picada
1 copo de vinagre de vinho branco
10 folhas de hortelã fresca
½ colher de café de sal
1 copo de vinho branco seco

Modo de Preparar:
Coloque o cordeiro de molho no vinho branco e deixe por 15 minutos. Junte todos os demais ingredientes e faça-os penetrar entre os vãos da paleta para que fique bem temperada. Asse em braseiro médio durante 45 minutos virando de vez em quando para que fique dourado por igual. Sirva com o seguinte: Molho Especial para Carne de Cordeiro – ½ xícara de chá de vinagre de vinho tinto; ½ maço de cheiro verde picado; 1 maço de hortelã fresca, picada; 5 gotas de Tabasco (pimenta); ½ xícara de chá de vinho branco seco; 1 cebola média descascada e ralada. Misture bem todos os ingredientes e o molho estará pronto para servir.

Receita integrante do cardápio da Churrascaria Boizão Grill, em São Paulo
Imagem e receita:
http://www.manualdochurrasco.com.br

domingo, 15 de julho de 2007

De vaias e aplausos

Assim como os blogs da esquerda e a versão oficial das mancadas e vaias no Maracanã, o Pobre Pampa também demorou a chegar a uma conclusão do que pode ter acontecido por lá:


1. Durante o ensaio, ocorreram as mesmas vaias que durante a cerimônia oficial. A esquerda fala em armação. Essa é difícil de engolir, pois não devem ter sido as mesmas pessoas que estiveram no ensaio e na cerimônia. Ou eram? E a assessoria do presidente falhou feio, pois deveriam ter avisado que havia algum risco de vaias.

2. As vaias iniciaram quando o nome dele foi citado e quando a imagem aparecia no telão. Então, foi espontânea. O Pobre Pampa não tem nem idéia de como foi feita a seleção de quem poderia estar lá na cerimônia. Mas ouviu dizer que era classe média branca...

3. As desculpas oficiais demoraram demais e ficou a impressão que o presidente realmente disse que não iria falar, mas arrependeu-se imediatamente após, tendo ficado com aquele ar de perdidão.

4. Mas o principal, segundo a avaliação do Pobre Pampa, é que a delegação cubana foi recebida de pé e a americana vaiada. Quem estava no Maracanã, afinal? A classe média branca? Estas elites surpreendem sempre. A propósito, houve a primeira deserção na delegação cubana. Um jovem atleta resolveu não voltar para sua maravilhosa ilha.

Imagem: Lula, clicado por Ricardo Moraes, AP, Banco de Dados/ZH - 13/07/2007. Essa foto ficou genial!!!

sábado, 14 de julho de 2007

terça-feira, 10 de julho de 2007

Vacas, onde estão vocês?

Não dá para repetir o que está no laudo da Polícia Federal sobre as auditorias realizadas nas notas fiscais da venda de gado do senador Renan. Mas as inconsistências são muitas. Demais! As GTAs (Guias de Trânsito de Animais) não batem com as notas fiscais apresentadas (quadro acima), pois diferem em quantidade, valor e origem do gado. A emissão de GTA não significa venda de gado, mas sim a movimentação dele. E pode ser de uma propriedade para outra, do próprio dono. Sobre as notas fiscais apresentadas, pairam dúvidas quanto à autenticidade, muitas rasuras, falta de registros e outros problemas. A PF não teve tempo de verificar se os compradores teriam, à época da emissão destas notas fiscais, recursos financeiros compatíveis para realizar a compra.

Ou seja, tem muita fumaça neste negócio. É bem provável, portanto, que haja muito fogo, também...

O relatório está na íntegra, em formato pdf, no site da Folha de São Paulo.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Quando o Público deixa de ser Público?

O Pobre Pampa leu, no site do Sindicato dos Bancários, nota sobre uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) das empresas públicas. Claro que o alvo é a venda de ações do Banrisul: "Dirigentes do SindBancários e da FEEB-RS farão plantão a partir das 10h, em frente ao acesso à agência. A PEC deve começar a tramitar na Assembléia Legislativa esta semana. A Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul obteve as 19 assinaturas para protocolar a proposta. Com as adesões da população, as entidades sindicais querem mostrar ao governo Yeda que a sociedade defende o Banrisul público e forte".

O Pobre Pampa não acredita que a sociedade tenha assim, tanta vontade de que o Banrisul seja público. Afinal, é um banco comercial como qualquer outro que se encontra em qualquer esquina. E tem, ainda por cima, clientes "cativos", pois todo funcionário público por ali recebe. Mas algum destes funcionários tem um cheque especial mais barato que na concorrência? Tem juros mais baixos para comprar sua casa? Ou seu carro? Ou, pelo menos, tem tarifas mais baixas? A resposta é, infelizmente não, pois sendo um banco comercial, age como qualquer banco comercial.

Então, para que serve ser público? Talvez para manter agências bancárias em pontos onde bancos comerciais não tenham interesse, mas a CEF está em qualquer casa lotérica... Talvez o que estejamos presenciando, é simplesmente um esforço corporativista de manutenção de cargos e salários. Talvez não, mas o que está proposto, pelo Governo do Estado, é simplesmente a venda de ações, mantendo o Estado como acionista majoritário. Como é o Banco do Brasil, por exemplo. Então, não deixaria de ser público! O que estaria por trás desta manipulação da população? Engessar o caixa do Estado para que continue nesta penúria? E será que a população que assina esta petição, sabe o que está assinando? E seria representativa esta parcela da população? É algo para se pensar muito...

Imagem: ação do Banco Pelotense, que não era público e foi fechado pelo Governo Getúlio Vargas, mesmo sendo um banco capitalizado, em uma ação até hoje sem boas explicações. Sua sede em Pelotas tem, atualmente, instalada a agência central do Banrisul. Particularmente, o Pobre Pampa preferia ver o Banco Pelotense por ali. Privado e forte!

domingo, 8 de julho de 2007

ONGS e Oscips - Ralo e Rolo...

Ano passado, o Governo Federal destinou três bilhões de reais (R$ 3.000.000.000,00!!!!) para convênios com ongs e oscips, para as mais diversas finalidades, muitas delas meritórias. Mas, segundo notícia do Estadão, técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU) calculam que metade desta grana tomou rumo incerto e não sabido. Ou melhor, bem sabido!

Segundo a reportagem, este esquema ficou bem claro para o Ministério do Planejamento, quando explodiu a "Operação Sanguessuga", que envolvia prefeitos, parlamentares, empresários e governadores. Alguns deputados foram cassados, outros renunciaram e alguns empresários pararam na cadeia. Perguntar não ofende: Algum prefeito está respondendo processo sobre isso?

A fábrica de dinheiro é imensa: em 2002, o Brasil tinha 22.000 ongs. Em 2006, este número já chegou a 260.000 e atualmente está batendo nos 300.000. E são 12 os fiscais responsáveis por fiscalizar esta verdadeira enxurrada de ongs. Parece que em todos os escândalos recentes destepaís, tem uma ong escondida, pois é muito fácil pegar o dinheiro e sumir com ele, através de relatórios fajutos e recibos frios. E vem aí mais uma CPI...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

FORA senado III

Paulo Paim, senador pelo Rio Grande do Sul, é um dos adeptos da teoria de acabar com o senado federal. Já foi mais, antes de ser senador, mas não contraria a idéia, atualmente. Contudo, disse na ZH de hoje, que a solução seria mudar o sistema de elaboração do orçamento da União. "É ali que entra a corrupção. Todos os escândalos, como o mensalão, passam pelo orçamento". Paim parece acreditar que todos os políticos são corruptos, é só dar oportunidade a eles... E, enquanto isso, Renan Vacalheiros está firme na sua defesa. Os senadores vão investigar o crescimento de seu patrimônio. Afinal, se o cara é senador em tempo integral, como pode ser, também - e só depois que virou senador, um empresário de tanto sucesso? Aliás, isto seria bem interessante: analisar a evolução patrimonial (ou os sinais exteriores de riqueza) de todos os políticos brasileiros ou, pelo menos, os que alcançam os maiores cargos. O que acham disso?

Imagem: Clarabela (Carolyn Cow), de Walt Disney. Uma vaca pra lá de conservadora, pertencente à uma entidade chamada Preservação da Moral de Patópolis. Certamente, ficaria horrorizada com o que seus parentes estão aprontando na propriedade do senador.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

FORA senado II

Um novo evento mostra a necessidade de retirar o senado federal das instituições representativas destepaís. A esperada renúncia de Roriz traz à tona, o pior da nossa vida pública: a absolvição integral do acusado. Que, mais que nunca, mostra-se culpado. Com a renúncia, cessam todas as acusações dentro do senado e ele pode voltar tranquilamente à vida pública. Mas ele quer mais! Quer que os suplentes renunciem também, para que se faça imediatamente uma nova eleição para a vaga de senador por Brasília. E ainda dizem que é uma instituição séria...

Outro ponto importante a ser discutido, é a existência dos suplentes. Normalmente figuras sem expressão política, que podem chegar ao senado federal, sem apoio popular, pois a votação foi no titular (praticamente nenhum eleitor sabe quem é o suplente de seu candidato). O suplente deveria ser, por lógica eleitoral, o segundo colocado. Mas esta é a regra... Aliás, segundo a Folha de São Paulo, o primeiro suplente (sim! são dois!!!) Gim Argello (PTB-DF), é acusado de causar um prejuízo de R$ 1,7 milhão à Câmara Legislativa do Distrito Federal (ele foi deputado distrital, outra bobagem do sistema político brasileiro), além de responder a denúncias de que teria recebido propina. Saiba mais, lendo a Folha.

Sobre o presidente do senado federal, a Folha também tem uma matéria interessante. Ao final da mesma, há uma declaração do senador: "Dizem que os documentos de quem adquiriu o gado não estão corretos. O que eu tenho a ver com isso? Eu apresentei provas, paguei, os documentos foram autenticados e atestados de que são verdadeiros". Está entre aspas, portanto, deve ser literal. Repararam o ato falho? Ele VENDEU o gado e diz: "apresentei provas, PAGUEI..." EPA! Pagou o que???

Por tudo isso, continuamos com nossa campanha FORA senado!

Até o próximo escândalo.

Imagem: Roriz, clicado por Lula Marques/Folha Imagem, rezando na Catedral de Brasília. Pode???

terça-feira, 3 de julho de 2007

FORA senado!

O Pobre Pampa pensou em entrar na campanha "Fora Renan", mas julgou que estaria sendo injusto com os demais senadores. Afinal, se queremos todos os corruptos fora do senado federal, sobrariam bem poucos e talvez alguns estados ficassem sem representação... Assim, o Pobre Pampa lança uma campanha mais abrangente, nuncaantesfeitanestepais: FORA senado!

Afinal, porque termos um sistema bicameral? Aprendi, nos bancos escolares, que a Câmara dos Deputados representaria o povo e o senado federal, os estados. Eram dois senadores por estado, naquela época, e a composição da Câmara era proporcional aos habitantes de cada estado. Nada mais justo, portanto.

Mas, cruel herança dos anos de chumbo, a proporcionalidade da Câmara foi alterada para permitir a prorrogação "democrática" da gloriosa revolução de 64, também conhecida como "Redentora", e aumentamos o número de senadores para três por estado, sendo um deles escolhido pelo Governo Federal. Acreditem, jovens, o terceiro senador era chamado de "biônico", alusão a um personagem de um seriado de TV. Pois bem, com a "redemocratização" do País, elegemos uma Assembléia Nacional Constituinte que deveria fazer a correção de todos os erros implantados em nossa Constituição pela Redentora. Mas, infelizmente, isto não foi feito e permanecemos com as distorções em nosso Congresso. Para ajustá-la, precisaríamos de outra Constituinte, mas os políticos eleitos para isto, provavelmente repetiriam a fórmula...

Assim, o PP lança esta campanha, já fadada ao insucesso, de arrancar o senado federal das nossas frágeis instituições políticas e restabelecer um pouco da proporcionalidade e da decência no cenário político destepais.

Imagem: do site do senado, mostrando um dia normal de trabalho...

domingo, 1 de julho de 2007

Ensino Superior (será mesmo?)

Interessante trabalho da Academia Brasileira de Ciências relata grandes problemas do ensino superior brasileiro. Com a mudança de enfoque – o sistema de cotas – praticamente ninguém discute a qualidade do ensino, sua formatação e o investimento do Estado.

Apenas para exemplificar, o Pobre Pampa separou alguns dos itens marcados pela ABC, embora recomende a leitura de todo o trabalho, pois vale a pena.

A EDUCAÇÃO SUPERIOR NÃO SE RESTRINGE AO ENSINO UNIVERSITÁRIO – A ABC recomenda que cursos profissionalizantes, com duração de até dois anos, sejam também incluídos na discussão;

RECURSOS DO ORÇAMENTO – Segundo a ABC, o Brasil investe apenas 4% do PIB na educação, enquanto outros países atingem 6%, sendo 21% deste, destinado ao ensino superior, (Nota do PP: outros autores alegam que mais de 70% do orçamento público federal fica com as universidades, que congregam um universo de somente 2% do público estudante).

A DISTRIBUIÇÃO DE MATRÍCULAS POR ÁREA DE CONHECIMENTO PRECISA SER CORRIGIDA - Este é um tópico muito interessante, pois demonstra que não há um real interesse no desenvolvimento do País e da sociedade brasileira como um todo, mas apenas a criação de cursos superiores: 69% das matrículas em instituições de ensino superior no Brasil situam-se em ciências humanas e sociais, apenas 13% em ciências da saúde, 11% em engenharias e ciências tecnológicas, 4% em ciências exatas, 2% em ciências agrárias, e 1% em outras áreas. Não que cursos em ciências humanas não sejam necessários, mas é óbvio que proliferam por precisarem de menor investimento para sua implantação.

A INCLUSÃO SOCIAL E A DIVERSIDADE DEVEM SER INCENTIVADAS SEM PREJUÍZO DA QUALIDADE. A melhor maneira de favorecer a inclusão social por meio de iniciativas ao alcance de instituições de educação superior é o incentivo a cursos noturnos e a atividades de reforço da educação em nível médio para comunidades carentes, a diversificação de instituições públicas de educação superior e a intensificação da formação de professores para o ensino público fundamental e médio. Deve-se considerar também que, sem um reforço substancial do ensino público de nível médio, não será possível atingir o objetivo de expansão com qualidade da educação superior no Brasil.

CONCLUSÕES DO POBRE PAMPA

A quantidade de universidades e cursos não é garantia de desenvolvimento. Isto, já aprendemos aqui na Metade Sul. Das cinco universidades federais do RS, quatro estão na Metade Sul, o que não têm garantido o desenvolvimento local. Ao mesmo tempo, Pelotas conta com um ensino secundário municipal de qualidade superior à media estadual. Para se ter uma idéia, o número de professores municipais pelotenses é superior, em número absoluto, ao de Porto Alegre.

Ao incentivar a criação do sistema de cotas, o Governo Federal desvia a atenção dos problemas que a educação enfrenta no Brasil. Agora, garantindo a presença de alunos oriundos do ensino médio público nas universidades federais, parece não ser mais necessária nenhuma melhoria no ensino médio.

O Pobre Pampa é contra as cotas de qualquer tipo. O Pobre Pampa é contra o ensino gratuito nas universidades públicas ou particulares. A sociedade brasileira não pode arcar com estes custos. Como, então, facilitar o acesso dos pobres e, ao mesmo tempo, conseguir recursos importantes para a sociedade?

Simples! Cada aluno, ao se formar em uma universidade pública, fica devedor da sociedade. Pagará os custos de sua formação de duas maneiras possíveis: Ou sustenta outro aluno de igual curso e igual duração, pagando mensalmente o valor estabelecido deste custo ou presta serviços à comunidade – dentro da especialidade cursada – em função remunerada e temporária. Com isto, estará feita a justiça social: os ricos pagarão para estudar ou prestarão serviços comunitários (mais provavelmente, iriam para as universidades particulares). Os pobres e os da classe média poderão ter a oportunidade de ter seus estudos custeados pela sociedade, ao mesmo tempo em que darão uma importante contribuição à mesma. Quem tem filhos egressos de faculdades, sabe que não basta um diploma para entrar no mercado de trabalho. Com este sistema, o aluno terá um início de carreira garantido pelo Estado, o que é tão ou mais importante que o diploma.

Aliás, o ensino superior está tendo um desproporcional foco na discussão sobre a educação brasileira (lembrem-se: 2% do público estudante, 75% do orçamento). E os governos estão criando barreiras para as carreiras tradicionalmente de ensino médio, retirando, desta maneira, a possibilidade dos menos favorecidos economicamente, de entrar no serviço público! Concursos que não necessitavam curso superior, já o estão exigindo! QUALQUER curso superior! Qual a intenção?

Imagem: Albert Einstein em um momento de descontração. Ao entrar nos EUA como imigrante, precisou fazer constar a raça no documento. Sua resposta: human race...